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09/09/2016

The Veil

Divulgada ontem, e hoje disponível nas principais plataformas de streaming, The Veil é a canção criada por Peter Gabriel para o filme "Snowden", de Oliver Stone [trailer].

21/05/2016

... [3]

Olhar o concerto através do estreito ecrã de um smartphone.

[Bruce Springsteen no "Rock in Rio Lisboa 2016"]

20/05/2016

O negócio da Novilíngua

Num tempo em que as pessoas comuns se distanciaram da participação cívica e política clássica - as razões desse afastamento são relevantes mas, no caso concreto, laterais - as empresas (onde de resto passam a esmagadora maioria do tempo útil das suas vidas) assumiram o papel de doutrinação - através de treino técnico e formas de doutrinação ideológica não raras vezes manipuladora - que outrora pertenceu aos homens e às mulheres dedicados à intervenção política e social. O Grande Irmão do século XXI já não é um líder político; ele é o CEO "de referência" num plano macro e o conselho de administração da organização em que cada um de nós trabalho, num plano mais local. É neste contexto que surgem fenómenos de reformulação de linguagem, com impacto directo nas super-estruturas ideológicas da sociedade. Os "empreendedores" são exemplos, mesmo quando o empreendedorismo que empreendem representa elevadíssimos custos sociais, económicos, políticos, ambientais e humanos. Um novo dicionário da economia capitalismo do século XXI varreu do discurso normalizado dos "colaboradores" e chefias expressões ou palavras menos rentáveis, subversivas, perigosas, expansivas, incongruentes com os processos de normalização em curso. Nas organizações modernas não existem problemas, "apenas desafios e soluções"; a linguagem foi limpa de expressão "negativas", todas reformuladas "pela positiva"; os estrangeirismos roubaram uso e significado à inimaginável riqueza da língua materna. O patrão deixou de ser patrão e o trabalhador não trabalha: colabora. A (de)formação ideológica da sociedade capitalista do século XXI é feita 8 a 12 horas por dia, nos locais de trabalho. E curiosamente é precisamente nos locais de trabalho que reside a semente da esperança de uma mudança radical, em direcção não a novas formas de chegar ao mesmo viver, mas antes a novas formas de construir um novo viver.


18/05/2016

Novilíngua [Newspeak]

"- Não vês que todo o objectivo da Novilíngua é estreitar o pensamento? Acabaremos por tornar o crimideia literalmente impossível, porque não haverá palavras para o exprimir. (...) Cada ano, menos e menos palavras, e o campo da consciência sempre um pouco menor."

1984
George Orwell


17/05/2016

Símio tecnológico.


1984 é 2016.

1984 é um grande romance. Inicialmente apontado como crítica directa ao socialismo soviético, enganam-se aqueles que teimam em datar o livro. Orwell não escreveu sobre um contexto específico, descreveu de forma brilhante os riscos associados a formas totalitárias de viver colectiva e individualmente. 1984 é hoje, e hoje não há socialismo soviético. 1984 é o regime de vigilância estatal e corporativa que damos como circunstância adquirida nas nossas vidas. 1984 é a novilíngua empresarial que tomou de assalto a economia, o desporto, a política, a cultura, as relações humanas em sentido lato. 1984 é o Grande Irmão CEO que poucos questionam nesse renovado contexto totalitário que são as empresas, onde a regra é obedecer de acordo com a norma ("da qualidade"), lugar que fez florescer um dialecto próprio que não apenas contaminou o falar - e naturalmente o pensar - dos "colaboradores" como é diligentemente patrocinado e controlado por uma nova polícia do pensamento, em regra corporizada por chefias intermédias mais irmanadas do que o Grande Irmão, ele mesmo. A novilíngua é "positiva" e "empreendedora", estrangeirada e superficial. Como o pensamento dominante. A novilíngua é a transposição discursiva de um estilo de pensamento que não é simples, é simplista. Ela é igualmente o correspondente verbal - e não verbal - ao movimento espasmático e compulsivo do pulgar fazendo correr icones e menús num smartphone maior do que a própria mão. A novilíngua é o capitalismo estético e o lugar instrumental que o ser humano utilizador-pagador ocupa no novo sistema. 1984 é 2016.


15/05/2016

1984

"Winston voltou-se de repente. Afivelara no rosto a expressão de tranquilo optimismo que era aconselhável usar quando de frente para a teletela."

em "1984"
George Orwell