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02/05/2019

A revolução não será televisionada [ii]

A meio da tarde do passado dia 30 de Abril boa parte da imprensa indígena dava como certa a vitória do golpe de estado promovido pelos Estados Unidos da América, e no terreno assumido pelo duo golpista Guaidó/López, na República Bolivariana da Venezuela. As notícias veiculadas em Portugal não encontravam qualquer correspondência com a situação real vivida em Caracas, a começar pelo boato/rumor da ocupação da base aérea La Carlota, local onde - a partir do exterior - Guaidó apelou ao início da guerra civil, acompanhado de Leopoldo López e de "meia-dúzia" de militares golpistas totalmente desacompanhados de tropas verdadeiramente mobilizadas para uma qualquer acção de força contra o governo constitucional da Venezuela e contra a maioria popular que o apoia e suporta nas urnas e nas ruas. Imagens transmitidas de dentro da unidade militar La Carlota pelo Canal venezuelano/regional Telesur desmentiam em directo o que se escrevia em Portugal e muito milhares de venezuelanos que se agrupavam em torno de Miraflores - o palácio da presidência - davam resposta em tempo real a quantos, ao longe e aparentemente mal informados, faziam trocadilhos entre o apelido do presidente venezuelano e a "eminente" vitória do patético "golpe" protagonizado pela extrema-direita do partido "Vontade Popular". O golpe, que sendo real merece aspas pela sua natureza infantil, precária, bizarra e distante da população, foi verdadeiramente a demonstração da falta de sustentação das considerações definitivas e concludentes que sobre a Venezuela e a sua situação política se debitam por cá todo o santo dia desde a morte do Comandante Hugo Rafael Chávez Frias. Como um dedo apontado à ignorância de quem, com assinalável arrogância, fala de uma realidade que em absoluto desconhece com a certeza que apenas os tolos ostentam com orgulho perante outros bem menos definitivos na forma como observação, interpretam e analisam situações verdadeiramente complexas. O que se passou entre 30 de Abril e 1 de Maio na Venezuela e nas ruas de Caracas em particular não caracteriza apenas a Venezuela e a sua realidade política, económica, social e cultural; trata-se também de uma oportunidade de ouro para compreendermos o papel que os grandes meios de comunicação social desempenham nestes contextos, procurando moldar percepções, não raras vezes sacrificando de forma absoluta a realidade dos factos.

24/05/2016

Em defesa da Venezuela bolivariana.

Sendo certo que comparações entre tempos históricos e espaços geográficos não coincidentes levantam sempre perplexidades a quem se quer agarrar às diferenças desvalorizando as semelhanças, não é menos verdadeiro que aquela estabelecida pelo Bruno no Manifesto74, a propósito dos paralelismos entre a situação venezuelana de hoje e aquela que em 1973 criou o ambiente propício ao golpe fascista da CIA no Chile (que teve em Pinochet o testa-de-ferro), encontra cabimento em múltiplos pontos coincidentes. Maduro não é Allende e a frente bolivariana venezuelana não é a Unidad Popular chilena; por outro lado a extrema-direita venezuela que promove acções constantes acções de sabotagem não se diferencia no essencial da extrema-direita nazi-fascista chilena, que não apenas sabotou a economia chilena no início dos anos 70 como depois de derrubar a Unidad Popular deu expressão material a uma programa político, económico e repressivo com duas vertentes fundamentais: por um lado a recuperação do poder por parte da burguesia chilena, apoiada no imperialismo ianque; por outro lado a repressão particularmente brutal de todas as formas de resistência ao fascismo. Todo o apoio ao movimento bolivariano venezuelano. Morte ao fascismo.