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02/03/2016

Livros de 2016 [2]: "Número zero", de Umberto Eco.

"Número zero" foi o último romance de Umberto Eco publicado antes da morte do autor. Não sei se outros haverão na gaveta, mas posso assegurar que se este for o último, Eco terá deixado à Humanidade um bom contributo para um debate necessário em torno da inutilidade da verdade no actual momento da história.

Em "Número zero" Eco conta a história de uma equipa de redacção constituída para a produção de um jornal que nunca chega a ser editado. As peripécias em torno do número zero do jornal "Amanhã" dão corpo a uma autêntica sátira relativamente ao jornalismo servil que vai fazendo escola em muitas redacções por esse mundo fora, e que hoje se assume como uma das principais ameaças à liberdade de imprensa.

25/02/2016

O "olho do furacão"

A notícia é do Público e tem data de ontem, 24.02.2016 [1]. No título a metáfora do "olho do furacão", normalmente associada a grande agitação. De forma errada, como sabe qualquer leitor com conhecimentos básicos sobre a realidade dos "furacões"; é que o "olho do furacão", a zona central da tempestade, é em regra caracterizado por condições amenas, contrastantes com aquelas que se verificam na chamada "parede do olho", onde imperam condições severas.

24/02/2016

A erudição é mau negócio.

"Os perdedores, como os autodidactas, têm sempre conhecimentos mais vastos do que os vencedores: se queres vencer tens de saber uma coisa só e não perder tempo a sabê-las todas, o prazer da erudição está reservado aos perdedores."

Umberto Eco
em "Número Zero"

21/02/2016

"Penitenziagite!" | Umberto Eco [1932-2016]

Sem Umberto Eco muito provavelmente desconheceria Fra Dolcino e a sua heresia comunista. Este facto, considerado isoladamente de todos os outros que poderia acrescentar, seria bastante para chorar a sua morte.


[imagem]

28/12/2015

Sobre as Terras e os Lugares lendários

Em "História das Terras e dos Lugares lendários", Umberto Eco propõe-se abordar a realidade dos lugares irreais, ou seja, a forma como a nossa vivência da perspectiva da eventual realidade de lugares como a Ilha de Utopia, a Atlântida, a Ilha de São Brandão, o Reino do Prestes João, o Paraíso bíblico ou Shambala mudaram e mudam a vida individual e colectiva dos Homens ao longo da história.

Segundo Umberto Eco - numa conclusão que não me parece particularmente surpreendente, pelo que creio que todos estaremos mais ou menos de acordo com ela - é o carácter não raras vezes insuportável do "mundo real" que gerou nos Homens a necessidade de perspectivar mundos ideais, imaginários, onde o caos dá lugar à harmonia. Noto que Eco se refere a lugares lendários embora alguns sejam na verdade imaginários (embora não fantasiosos).

É curioso que os lugares lendários de Eco têm em regra - e toda a regra parece apresentar excepções - uma natureza diferente daqueles imaginários que a obra não refere (pelo menos até onde li) - como a Terra Média ("Middle-Earth") de J.R.R.Tolkien, por estes dias popular nas televisões, através dos filmes que Peter Jackson produziu e realizou a partir dos três volumes da magistral obra "O senhor dos anéis" -, terras que longe de se assumirem como espaços de fraternidade se apresentam antes como cenários propícios à demanda redentora. Neles, o herói é colocado à prova e através das sucessivas vitórias face às adversidades, aos obstáculos e às muitas armadilhas terrenas propõe-se alcançar não um lugar de Paz mas antes um Estado de Paz que naturalmente o transportará aos lugares lendários referidos na obra de Umberto Eco, todos representações imaginárias daquele que - comumente - lhes deu origem.