Estreou ontem em Almada a mais recente peça do grupo Não matem o mensageiro, "Homem morto não chora". E eu, que estive lá, não me vou armar em crítico - papel para o qual não tenho competências nem vocação - mas não posso deixar de partilhar com quem por aqui passar duas ou três ideias sobre o que vi e senti.
A história de "Homem morto não chora" conta-se em poucas palavras: apanhado num esquema de corrupção no exercício das suas funções como ministro da administração interna, um ex-professor recebe no seu gabinete - e por convite seu dirigido à redacção de um canal de televisão imaginário - um jovem jornalista estagiário, antigo aluno seu. Lá fora uma imensa manifestação grita pela demissão de um governo que acusa de ter reinstaurado a ditadura fascista em Portugal. Pedro, o jovem jornalista que na faculdade ainda não compreendia o processo histórico na sua violência intrínseca, já não é o mesmo rapaz que o ex-ministro conheceu no passado e a entrevista acabará por demonstrá-lo com cristalina clareza.
