Pronto, talvez o título seja um exagero, concedo. Mas a questão fundamental permanece: eu próprio teria certamente feito semelhante figura - ridícula, naturalmente... - àquela que a artista do regime fez quando se deixou gravar para um clip da campanha "E se fosse eu?". A razão é simples: não há conhecimento teórico nem empatia com os refugiados que nos preparem para decidir quais seriam os objectos que colocaríamos na mochila se, com balas a assobiar por cima da cabeça, fossemos forçados a deixar para trás as nossas casas e os nossos pertences para procurar paz noutra parte do mundo. Naturalmente que não me passaria pela cabeça levar comigo jóias, óculos de sol, iphone (que de resto não tenho) ou cadernos para desenhar. Mas à enorme distância que me separa da verdadeira situação - é bom não nos esquecermos que o exercício proposto pela campanha em causa é meramente especulativo... - não me estou a ver a abandonar o meu exemplar de bolso de "Spartacus" (o romance de Howard Fast). Dito isto, sou capaz de ser um bocadinho Joana Vasconcelos, não sei. Felizmente não estou sujeito a tamanho escrutínio público nas redes associais.
[escrito isto, aconselho a leitura do texto que o meu camarada - e companheiro de Manifesto74 - António Santos dedicou ao tema]
[imagem]
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10/04/2016
Je suis Joana Vasconcelos
23/03/2016
Bruxelas, o Expresso e a política de direita.
O Expresso, que foi incapaz de dar destaque à nota de imprensa do PCP sobre os atentados de Bruxelas, compôs uma peça bastante infeliz [2] acerca de um post isolado e descontextualizado do Miguel Tiago no Facebook [3].
O post em questão é este: "Tal como a pobreza, a fome, o desemprego, os baixos salários, a criminalidade, a guerra, a degradação cultural, artística, social e ambiental, também o terrorismo é resultado da acção dos NOSSOS governos. Se queremos resolver o terrorismo, temos de acabar com a política de direita aqui. Se queremos só fingir que resolvemos para que mais tarde o terrorismo caia mais violento ainda sobre nós, basta agitar as bandeiras do ódio. As mesmas que, pintadas com estrelinhas sobre um fundo azul, com ou sem riscas vermelhas, se fizeram passar por bandeiras da democracia." [3]
Curiosamente o primeiro comentário ao post do Miguel Tiago é meu: na circunstância escrevi "nem mais", em jeito de absoluta concordância com aquilo que escreveu o Miguel. Voltaria a fazê-lo, por razões que já explicitei ontem e às quais acrescento novos argumentos hoje. Já lá vamos.
O post em questão é este: "Tal como a pobreza, a fome, o desemprego, os baixos salários, a criminalidade, a guerra, a degradação cultural, artística, social e ambiental, também o terrorismo é resultado da acção dos NOSSOS governos. Se queremos resolver o terrorismo, temos de acabar com a política de direita aqui. Se queremos só fingir que resolvemos para que mais tarde o terrorismo caia mais violento ainda sobre nós, basta agitar as bandeiras do ódio. As mesmas que, pintadas com estrelinhas sobre um fundo azul, com ou sem riscas vermelhas, se fizeram passar por bandeiras da democracia." [3]
Curiosamente o primeiro comentário ao post do Miguel Tiago é meu: na circunstância escrevi "nem mais", em jeito de absoluta concordância com aquilo que escreveu o Miguel. Voltaria a fazê-lo, por razões que já explicitei ontem e às quais acrescento novos argumentos hoje. Já lá vamos.
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18/02/2016
Notícias da indiferença.
Um homem passa um bebé por entre arame farpado na fronteira entre a Sérvia e a Hungria, 28 de Agosto de 2015. A fotografia é do australiano Warren Richardson e ganhou o World Press Photo 2016. Do lado de cá do Muro de Schengen, essa cortina de indiferença que tudo torna nebuloso para lá das fronteiras daquilo a que se convencionou chamar "Europa", será um sucesso em blogues, twitters, facebooks e afins. Como a célebre fotografia de Kevin Carter teria feito, se nessa altura existissem "redes sociais".
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17/11/2015
"Business as usual"
A política internacional é um lugar estranho, no qual os princípios fazem episódicas aparições para logo depois se eclipsarem perante o tamanho e o peso dos grandes negócios em torno das armas, das matérias primas e dos recursos energéticos. Aparentes inimigos negociam entre si e aliados no papel combatem-se de forma indirecta nos mais horrendos campos de batalha. O circuito parece complicado mas para o olear existem quantidades industriais de dinheiro, capazes de comprar o silêncio e a cumplicidade dos mais moralistas dos estados da "comunidade internacional".
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15/11/2015
Não passarão.
Não foi por mero acaso que na véspera dos cobardes e horrendos ataques terroristas em Paris outros dois ataques de enormes proporções tiveram lugar na capital do Líbano, Beirute. Não será por acaso que, se novos ataques vierem a ocorrer em alguma cidade da Europa ocidental, outro terá ocorrido numa qualquer cidade do mundo árabe. A razão é simples: os ataques do ISIS, de células da rede Al Qaeda ou de outros grupos da extrema-direita sunita têm lugar quase todos os dias no vasto território que vai do mediterrâneo oriental à fronteira do Afeganistão com a China.
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