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16/05/2019

Paradoxo*



[em "Odeio a internet", de Jarett Kobek] * "Blogger, uma palavra criada pela Pyra Labs, é um serviço do Google [...]"

26/04/2019

A prática da vida selvagem [i]*

Dou por mim com um carrinho de compras digital cheio de livros [que não existem fisicamente no carrinho, ele mesmo uma inexistência real] que racionalizam e explicam o desejo que já existe em muitos - sobretudo naqueles que viveram o mundo pré-Internet - de ter o seu cérebro desprogramado de volta. A oferta é farta e, naturalmente, inclui um pouco de tudo: ciência, auto-ajuda, testemunhos de desintoxicação, receitas para a libertação, manifestos e panfletos propagandistas. Não creio que nenhum dos títulos venha a chegar à minha caixa do correio [real]. Já não está em causa se existe um problema, de que sou parte, de verdadeira dependência da internet. Quase todos sofremos dela, uns mais, outros menos. Acontece que a generalização dessa dependência, que é um problema real, na medida em que condiciona e modifica - poucas vezes para melhor... - as nossas vidas, passou a ser a norma e não, como acontece com a dependência de drogas ilegais ou do álcool, um comportamento minoritário e desviante. Esta normalização do absurdo que é a dependência "digital" transformou a autonomia e a independência face à digitalização da vida em forma de vida estranha e objectivamente ostracizante. A coisa é tão evidente que não são precisos livros, TED Talks e expertos na televisão alertando para os malefícios da crescente digitalização da vida; quem não os sente? Os cérebros pré-internet rareiam. O meu foi-se e eu sinto a falta do tempo em que o telefone portátil - o chamado "telemóvel" - só fazia chamadas e enviava sms. Creio que regressarei a esse registo logo que o meu smartphone entregue a alma ao criador. Até lá a tendência será para a desinstalação. A questão todavia mantém-se: será esse o caminho para a recuperação da minha autonomia?


[imagem]

* "A prática da vida selvagem" é o título de uma obra, colecção de textos, de Gary Snyder, poeta e ensaísta norte-americano. O livro encontra-se traduzido para português e disponível nas livrarias, sendo uma edição da Antígona.

23/04/2019

Há um trol em todos nós...

As redes sociais não são apenas o meio, são também a motivação e, de certa forma, o contorno que molda da mensagem. Por isso, quando reagi nas redes sociais - no Facebook - à fotografia e ao texto que Steven Wilson publicou no Instagram relativamente à Páscoa, a Israel e a Roger Waters - tudo em meia dúzia de caracteres - o que fiz foi o que boa parte dos utilizadores das redes sociais fazem: processei a micro-mensagem e, com base em meia-dúzia de caracteres, tomei uma posição [e a ideia de "tomada de posição", neste contexto, é relevante] sobre Wilson e sobre sua aparente falta de vergonha. Quando o fiz violei uma regra que defini para mim há alguns anos e que, com raras excepções, tenho conseguido passar à prática: depois de ler um texto que me irrita profundamente devo respeirar fundo, resistir à tentação de "tomar posição", esperar meia hora [no mínimo] e depois avaliar racionalmente se a coisa merece mesmo o meu contributo para a barulheira virtual. Quer isto dizer que, no que me diz respeito, o sumo da "polémica" relativa à provocação de Steven Wilson a Roger Waters não diz respeito a nenhum dos dois, mas à minha própria pessoa. E quem perdeu, se perdedor houve, fui eu. Como na canção da Adelaide Ferreira. Nada disto retira legitimidade à questão que então coloquei, e que não é nova, longe disso: quais é o limite para a separação entre criação e criador, entre obra e artista, entre artista e homem/mulher para lá da vida artística? Não tenho resposta, mas cheguei a uma conclusão: a minha regra - a tal que quebrei - faz mesmo sentido.