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20/01/2016

As nações indígenas e o tempo que vivemos

No seu muito recente discurso de agradecimento pelo prémio de melhor actor, durante a cerimónia de entrega dos "Globos de Ouro", Leonardo DiCaprio referiu-se aos povos indígenas de todo o mundo, à sua dignidade e à necessidade de proteger as suas terras dos interesses corporativos que desde há séculos as colocam em risco. Trata-se de uma referência importante e actual, que encontra expressão por exemplo no estilo "anti-Western" de que "The Revenant" parece ser um dos mais recentes representantes no cinema.

Os povos indígenas - aqueles originários de territórios progressivamente ocupados e explorados por povos invasores e colonizadores - foram sempre ao longo da história caricaturados como gentes bárbaras, preguiçosas e pouco inteligentes, incapazes de explorar os recursos naturais em que as suas terras são ricas. Há dias li uma passagem de um livro de Wenceslau de Moraes sobre a história do Japão em que o autor refere a má fama de que gozavam os Ainu do Japão pré-colonização junto da população de origem continental que hoje é esmagadoramente maioritária nas ilhas nipónicas. Discursos semelhantes podem ser lidos e ouvidos relativamente aos povos originais da Austrália, do Hawaii, das Américas (do Norte, Central e do Sul) e da chamada "África negra".