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05/08/2016

"Radio edits"

Uma das vantagens de se ser fã a sério dos Porcupine Tree e de Steven Wilson (SW) diz respeito à considerável dimensão da obra editada e disponível. Os álbuns são muitos, e os discos de versões (demos e "radio edits") também. A música do sr. Wilson é um universo e viajar por ela abre novas perspectivas sobre os temas que aborda, os sons que utiliza, as inspirações - evidentes ou não - que revela e, claro está, a postura relativamente aos conceitos de composição, produção, interpretação e promoção que lhes estão subjacentes.

Steven Wilson não é um músico particularmente preocupado com os tops de vendas. Se fosse estaria em perfeitas condições de compor, produzir e interpretar hits e baladas ao pior estilo dos Coldplay. Em todo o caso tem-se revelado de forma a crescente a sua necessidade de ver a música que compõe e as letras que escreve chegarem a mais gente, abrindo novas janelas na sua relação com públicos cada vez mais alargados, nomeadamente através do streaming oficial e das chamadas redes sociais: o facebook e o instagram. [a abertura de um blogue "oficial" do último álbum "Hand.Cannot.Erase" faz parte de um esforço de divulgação da obra mas é, em si mesma, uma componente do próprio disco, na medida em que durante o período anterior ao lançamento do disco foi revelando a história/conceito que inspirou toda a música]

É por isso particularmente intrigante a insistência de SW em versões para rádio (mais curtas e com menos secções instrumentais) de algumas das suas canções mais bonitas. Creio que SW alimenta um desejo genuíno de divulgação da sua música, estando para isso disponível para a simplificar, preservando no entanto as versões finais que inclui nos discos/álbuns principais. SW é a personificação de um notável (e saudável, diria eu) paradoxo, marcado pela convivência de atitudes ambivalentes face às exigências do sucesso comercial.

Eu sou cada vez mais fã. Da música e do comportamento. Farto-me de aprender com um músico que não é apenas um músico também na esfera pública. Para os leitores do blogue não será propriamente uma novidade...

22/07/2016

Signify [20 anos]

"We invite you, wherever you are – whether you are at home or whatever – 
to kick your shoes off and put your feet up and lean back and 
get yourself a cup of coffee or something and just relax and join us in enjoying 
some very quietened, romantic and relaxed music for a couple of hours.
Live.
Die.
Signify."
BornLiveDie


"Signify", o quarto disco do portfolio dos Porcupine Tree, cumpre em 2016 os seus 20 anos a girar em boas e más aparelhagens, em formato como deve ser mas também em formatos de alta compressão armazenados em telefones móveis.  Em certo sentido, "Signify" é o primeiro disco dos Porcupine Tree já que os anteriores foram na verdade discos solo do senhor Steven Wilson, gravados e apresentados com a sua banda. O que lhe terá custado prescindir do controlo absoluto sobre a mais ínfima parte da composição e produção não sei. Mas imagino.

O disco é uma brutalidade. Cinco em cinco, dez em dez, cem em cem, da primeira à última faixa, "Dark Matter", que não sou capaz de imaginar sem recorrer à ideia que faço daquilo que será a imensa sala subterrânea de Lombrives, nos Pirinéus, conhecida como "a Catedral".

Não sendo propriamente um álbum conceptual, como foram outros do trabalho de Steven Wilson dentro e fora dos Porcupine Tree ("Fear of a blank planet" ou "Hand.Cannot.Erase"), "Signify" é um disco que aborda o tema do efémero ("Dark Matter"), da superficialidade nas relações humanas ("Sever") e da ruptura evidente que já então se admitia poder vir a representar a massificação do uso da internet ("Every home is wired").

Em 2011 apaixonei-me profundamente por este disco. Ouvi-o todos os dias, entre casa e o trabalho, durante uns 6 meses. Posso sem hesitar elevá-lo, no meu panteão musical, à condição de disco da minha vida, e por isso ainda hoje o oiço com a frequência com que devem ser ouvidos os discos que nos falam ao coração. De cada vez que o oiço, sempre em formato que deixaria o senhor Steven Wilson à beira de um ataque de nervos, descubro-lhe novos pormenores, na voz, na linha do baixo, em riffs entre o macabro e o épico. "Signify" torna-me uma pessoa mais feliz.



De resto os anos não lhe pesaram e o "post-prog" de "Signify" é hoje tão brutalmente novo como foi quando em 1996 rasgou o panorama de um neo-prog meio perdido entre a "popização" das suas referências antigas e a emergência de novos estilos "indie" rapidamente catapultada para as posições mais comerciais da indústria das estrelas precárias.

Aconselho-o, naturalmente.


Título Composição Duração
1. "Bornlivedie"   Wilson/Barbieri 1:41
2. "Signify"   Wilson 3:26
3. "Sleep of No Dreaming"   Wilson 5:24
4. "Pagan"   Wilson 1:34
5. "Waiting (Phase One)"   Wilson 4:24
6. "Waiting (Phase Two)"   Wilson 6:15
7. "Sever"   Wilson 5:30
8. "Idiot Prayer"   Wilson/Edwin 7:37
9. "Every Home Is Wired"   Wilson 5:08
10. "Intermediate Jesus"   Wilson/Barbieri/Edwin/Maitland 7:29
11. "Light Mass Prayers"   Maitland 4:28
12. "Dark Matter"   Wilson 8:57
Duração total:
61:56