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11/05/2016

Vamos comprar um poeta

Ainda não compreendi ao certo porque razão ainda são legais e ainda estão disponíveis por aí os livros do Afonso Cruz (talvez o sistema confie na demissão que a maior parte de nós, povo, lhe oferece face a esse perigoso exercício que é ler, ler livros e o mundo). Não haverá neste país literatura mais subversiva, seta mais aguçada apontada ao pacemaker do capitalismo. "Vamos comprar um poeta" não é apenas um livro: é uma arma de destruição subversiva da civilização quantitativa em que nos vamos tornando, o mundo "orientado para os resultados". O Afonso Cruz é um perigo, um subversivo que o sistema terá debaixo de olho. Que bom existirem ainda subversivos desta estirpe escrevendo como poucos escrevem (ou escreveram) na língua que é a nossa pátria.

"... sombras de quem somos"

Neste mundo em que esquecemos
Somos sombras de quem somos,
E gestos reais que temos
No outro em que, almas, vivemos,
São aqui esgares e assomos.
[...]

Fernando Pessoa

26/04/2016

"Che"

Na manhã seguinte à celebração da Liberdade peguei num livro digno de um grande poeta que foi um político medíocre, e que ontem mesmo demonstrou toda a sua inépcia política ao comentar a acção do presidente da República. Refiro-me ao livro "Che" e ao poeta Manuel Alegre.

Em "Che" pude ler, na sua página 37, os seguintes versos:

"É sempre possível acordar uma manhã e dizer
não vou.
E decidir ficar em casa. Fechar-se
no próprio quarto e proclamar
a serra é aqui."

Poucas palavras me terão feito tanto e tão pouco pouco sentido em simultâneo, o que queria ler e o que não precisava de ler numa só página.

25/04/2016

25 de Abril, sempre! Fascismo nunca mais.

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Sophia de Mello Breyner Andresen 



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