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17/04/2019

O mistério das Catedrais

Creio que fui a Paris duas vezes, mas não tenho a certeza. Uma pelo menos fui, e nessa primeira - que se calhar foi a única - viajei de comboio até Chartres, muito provavelmente o lugar mais esmagador que visitei fora de Portugal, talvez a par de Compostela e do Vaticano. Eu, que nem baptizado sou, vejam bem. Em Paris visitei a Notre-Dame, claro está, e de lá passei ao Quartier Latin, onde quase à vista da Catedral existe uma outra igrejinha gótica erigida em homenagem a Severin de Paris, um homem que de acordo com a lenda ali se havia dedicado à oração e à contemplação das coisas do mundo dos outros e do seu mundo também. Foi um tempo de grande aplicação no estudo dos aspectos simbólicos das pedras falantes, anos saltitando de Igreja em Igreja, fotografando, lendo, contemplando e procurando interpretar o que para mim foi quase sempre "chinês". Em Notre-Dame senti-me todavia em casa. E em Saint-Severin, claro. E depois disso na Santa Maria Maggiore, na cidade eterna, homónima do meu lugar preferido na cidade de Lisboa, Santa Maria Maior, que é o outro nome da Sé Patriarcal da capital portuguesa. Quando fui a Notre-Dame, em visita turística arrumado em dia de descanso durante uma deslocação em trabalho, trazia na ponta da língua os textos de Fulcanelli - o alquimista francês de identidade desconhecida - escritos para "O mistério das Catedrais". E se a memória não me falha, Fulcanelli apresenta nessa sua obra magna a imagem colorida de uma Notre-Dame cheia de pinturas murais entretanto desaparecidas. Lembro-me pois de, em frente ao pórtico principal da Catedral, tentar imaginá-la com menos meio século, esforço inglório que todavia não dei por mal empregue. Na Île de la Cité deixei duas pedrinhas que trazia no bolso, e que havia recolhido dias antes no Parque da Pena, no coração da Serra de Sintra. Outra ainda deixei-a num dos pórticos laterais de Chartres, bem escondida e protegida, para ali ficar tanto tempo quanto possível. O mistério das Catedrais dava-me que pensar, horas e horas de dias e dias a fio, nesse tempo. Nunca pensei que voltasse a Fulcanelli pela mais triste das razões, no que à "sua" catedral diz respeito.



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16/11/2015

França, o Facebook e a infantilização do debate político


Os acontecimentos de Paris desencadearam reacções naturais e compreensíveis que, num mundo tomado por formas de individualismo sectário, se expressaram sobretudo através das redes sociais.

As redes sociais são, sabemo-lo bem, espaços cuja estrutura, o ambiente e a lógica muito convidam ao conflito. Elas maximizam a agressividade natural de muitos de nós. São também “lugares” não pensados para debates profundos sobre temas que ultrapassem a superficialidade do penalty duvidoso. Ninguém lê 4000 caracteres publicados num comentário a uma notícia, ou ao “post” de um amigo, mesmo quando não há outra forma de explicar de forma clara uma opinião sem recurso a 4000 caracteres.

15/11/2015

Não passarão.



Não foi por mero acaso que na véspera dos cobardes e horrendos ataques terroristas em Paris outros dois ataques de enormes proporções tiveram lugar na capital do Líbano, Beirute. Não será por acaso que, se novos ataques vierem a ocorrer em alguma cidade da Europa ocidental, outro terá ocorrido numa qualquer cidade do mundo árabe. A razão é simples: os ataques do ISIS, de células da rede Al Qaeda ou de outros grupos da extrema-direita sunita têm lugar quase todos os dias no vasto território que vai do mediterrâneo oriental à fronteira do Afeganistão com a China.