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04/05/2016

Livros de 2016 [12]: "A vida no céu", por José Eduardo Agualusa.

Comecei este "A vida no céu" com enorme expectativa. De Agualusa conhecia, para lá de textos em jornais, "Nação crioula", "Catálogo de sombras" e o imprescindível "Estranhões e Bizarrocos". A ideia de "A vida no céu" é relativamente original, misturando o género a que se convencionou chamar "realismo mágico" com a ficção científica, ou especulativa. Acontece porém que não fui capaz de o terminar. Tenho-o a 20 páginas do fim e não sei se lhe volto a pegar, o que de resto é um direito de todo o leitor.

Agualusa é um brilhante escritor, um dos melhores da língua portuguesa. Parece-me em todo o caso que "A vida no céu" lhe saiu uma obra bem imaginada mas mal concretizada. As personagens parecem-me de uma superficialidade surpreendente, a escrita é sofrível e a história mal desenvolvida. Fiquei com sincera pena deste desencontro literário entre o leitor que sou e este autor que, apesar de tudo, admiro.

29/04/2016

Livros de 2016 [11]: "Forças do Mercado", por Richard Morgan.

Este "Forças do Mercado", terceiro romance de Richard Morgan, não é brilhante. A história decorre numa Londres distópica e num contexto em que as forças políticas foram substituídas por colossais corporações que dominam o mundo e o processo histórico de acordo com as suas conveniências. Nada disto é particularmente original.

O mérito do livro é a possibilidade de poder despertar em alguns uma reflexão séria sobre a involução de muitas sociedades normalmente tidas como "avançadas" (de acordo com critérios normalizados mas discutíveis, naturalmente...) em direcção a um sistema de castas e de hierarquização social estanque que é, em si mesmo, uma demonstração da falta de democracia que de forma generalizada as afecta no momento presente.

Apenas interessante, na minha perspectiva.

27/04/2016

Livros de 2016 [10]: "História Universal da Infâmia", por Jorge Luis Borges.

Lido de um fôlego, no comboio, entre o Porto e Lisboa. Sublime, divertido, soturno por vezes, corrosivo e irónico, simples e simultaneamente complexo. Um livro absolutamente imprescindível de um autor absolutamente ímpar.

22/04/2016

Livros de 2016 [10]: "Na palma da mão", Pedro Teixeira.

Tenho relativamente ao Jorge Palma uma dívida que nunca poderei saldar. Em Janeiro de 2000, se bem me recordo, assisti a dois concertos seus - em dois dias consecutivos - no Fórum Romeu Correia, em Almada; ao meu lado estava a minha namorada

Livros de 2016 [9]: "O denunciante", por Liam O'Flaherty.

A par de leituras de textos de James Connolly, ou de excertos de obras de V. I. Lénine dedicados à independência da Irlanda, resolvi comemorar o centenário da "Easter Rising" de 1916 com "O denunciante" ("The Informer"), de Liam O'Flaherty. A edição que tenho - e que creio que é a única tradução para a língua portuguesa desta obra - é da Europa-América; a tradução, que foi feita a partir do francês, é de José Saramago.

A leitura vai andando em paralelo com os textos referidos e com as últimas páginas de "Jesus Cristo bebia cerveja".

16/04/2016

Livros de 2016 [8]: "Jesus Cristo bebia cerveja", por Afonso Cruz.

Comecei-o hoje mesmo, tenho lida apenas uma pequena parte da história. Não vai demorar muito, em todo o caso. Os livros do Afonso Cruz funcionam como um íman para a minha curiosidade literária. Esta sincronia com a sua escrita, com a forma como o seu pensamento se traduz em histórias permitir-me-ia, estou certo disso, identificar um texto não assinado de Afonso Cruz entre muitos que me dessem a ler. Acontece-me o mesmo com Mozart e com o cheiro da minha companheira, o amor da minha vida. Há coisas neste mundo que não confundimos com outras, mesmo que sejam na aparência semelhantes.

(actualização, depois de terminado, a 26/04/2016)

"Jesus Cristo bebia cerveja" é uma obra notável, fractal na sua estrutura, universal na sua temática. O professor Borja é um daqueles personagens que nunca mais vou esquecer. Como ainda estou a "digerir" o que li... fico-me por aqui.

Livros de 2016 [7]: "Geronimo (por ele próprio)".

"Geronimo (por ele próprio)", é uma obra interessante, que revela as memórias fundamentais do mais célebre líder apache do final do período de liberdade para os índios norte-americanos na costa este do país, entre os actuais Estados do sul dos EUA e o norte do México.

A edição da Antígona inclui uma muito interessante introdução, por Frederick W. Turner III, um texto que enquadra as palavras de Geronimo num contexto mais abrangente marcado pelo embate violento entre culturas naquela segunda metade do segundo milénio d.C., quando os brancos europeus - de várias nacionalidades - reivindicaram como direito seu expulsar das suas terras ancestrais (e explorar em benefício próprio as respectivas riquezas naturais, não raras vezes até ao seu esgotamento total) os aborígenes do continente americano. Creio que o prefácio tem interesse superior à própria narrativa de Geronimo.

07/04/2016

Livros de 2016 [6]: "Uma agulha no palheiro", de J.D. Salinger.

Despachemos o óbvio: Holden Caulfield, o personagem central de "The catcher in the rey" (traduzido para português como "Uma agulha no palheiro"), não apenas é um mentiroso compulsivo - o que de resto admite - como apresenta níveis insuportáveis de insolência, pedantismo e arrogância. Ora aturar um personagem com estas características deu-me uma permanente vontade de fechar o livro e voltar a arrumá-lo na estante, coisa que Daniel Pennac defende como direito do leitor no obrigatório "Como um romance".

Acontece que J.D. Salinger é um enorme escritor e, apesar de Holden, "Uma agulha no palheiro" é um grande livro. Assim, agora que o terminei dou-me por satisfeito de me ter mantido firme na decisão de contornar Holden, levando até ao fim a determinação de perceber porque razão "The catcher in the rey" é uma das mais populares obras da literatura norte-americana do século XX.

31/03/2016

Livros de 2016 [5]: "Requiem - by the photographers who died in Vietnam and Indochina"

Confesso, com satisfação, que foram muitos os livros que me provocaram os mais tremendos sentimentos, diversos na sua natureza, uniformes num nível de intensidade absolutamente arrebatador. Sentir o que se lê é, muito provavelmente, a mais incrível sensação que as letras, as frases, os textos e as imagens - desenhadas ou registadas em fotografia - podem oferecer a quem ama a literatura, os livros e as histórias que imortalizam. Acontece porém que apenas cinco obras de entre as muitas que li em 38 anos de vida me fizeram chorar. Este "Requiem - by the photographers who died in Vietnam and Indochina" foi uma delas.

Livros de 2016 [4]: "Clube de combate", de Chuck Palahniuk.

Imaginem que enfrentam o mais azedo período da vossa vida. Um momento em que as circunstâncias a que o sistema vos conduziu cria dentro de vós uma tempestade perfeita de criatividade, repulsa pela cultura dominante e necessidade de a despir aos olhos dos outros. "Fight club", de Chuck Palahniuk, será o produto de um desses momentos na vida do autor.

Sátira ao absurdo do capitalismo triunfante, "Clube de combate" é um grito de revolta abafado pelas circunstâncias clandestinas a que esta se circunscreve, dentro e fora do narrador, a quem Chuck Palahniuk nunca atribui uma identidade definida.

11/03/2016

Livros de 2016 [3]: "Viagens Ijon Tichy", de Stanislaw Lem.

Sobre o que li nesta maravilhosa obra de ficção especulativa escrevi no Bitaites. O livro é esplendoroso, perturbador, hilariante por vezes, aterrador noutros casos. Altamente aconselhado, naturalmente.

02/03/2016

Livros de 2016 [2]: "Número zero", de Umberto Eco.

"Número zero" foi o último romance de Umberto Eco publicado antes da morte do autor. Não sei se outros haverão na gaveta, mas posso assegurar que se este for o último, Eco terá deixado à Humanidade um bom contributo para um debate necessário em torno da inutilidade da verdade no actual momento da história.

Em "Número zero" Eco conta a história de uma equipa de redacção constituída para a produção de um jornal que nunca chega a ser editado. As peripécias em torno do número zero do jornal "Amanhã" dão corpo a uma autêntica sátira relativamente ao jornalismo servil que vai fazendo escola em muitas redacções por esse mundo fora, e que hoje se assume como uma das principais ameaças à liberdade de imprensa.

19/02/2016

Livros de 2016 [1]: "Butcher's Crossing", de John Williams.

Entrei em 2015 com "Butcher's Crossing" na mochila e apesar de o ter iniciado entre o Natal e o ano novo acabei por terminá-lo já em Fevereiro, com outras leituras iniciadas (mas não terminadas) pelo meio. Não consegui levar "Butcher's Crossing" do princípio ao fim sem momentos de pausa, semanas sem o abrir. O livro é pesado, sensorial, mórbido até. Tem páginas inteiras que nos transportam para cenários gelados e fétidos, onde predomina o cheiro da pólvora, da putrefacção da carne de milhares de búfalos chacinados e dos homens sujeitos às circunstâncias de uma natureza que por vezes não controlam de forma alguma.