Passamos a vida a lamentar a pequenez da memória que cultivamos quando na verdade - e não obstante alguns de nós terem mesmo memória de galinha - o que nos vai fazendo deixar cair (pelo menos da memória mais presente) as recordações do passado é o entupimento de informação a que estamos submetidos - queiramos ou não - nos dias que correm. É por isso bom que figuras como o actual presidente da República revisitem a sua vastíssima experiência em crises políticas do passado, lembrando os concidadãos acerca de governos de gestão em que andou - de uma forma ou de outra implicado - não vá alguém esquecer-se de que nesta República desbaratada Cavaco foi e é o político que durante mais tempo ocupou as mais relevantes funções no Estado: desde o início da década de 80, há mais de 30 anos, ocupou as funções de ministro das finanças (1980-1981), primeiro-ministro (por três vezes, incluindo duas em maioria absoluta, entre 1985 e 1995) e presidente da República (desde 2006). Não há outro nome, no período pós-25 de Abril, com tantas e tão graves responsabilidades no estado a que isto chegou.
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23/11/2015
11/11/2015
7 notas sobre o momento político do país
1. Os acontecimentos políticos nacionais ocorridos desde o passado dia 4 de Outubro são bem a ilustração daquilo que muitos afirmam desde há muito: eleições legislativas servem para eleger deputados à Assembleia da República; não há "eleição para primeiro-ministro", nem a Constituição determina que forme governo a força política mais votada; tudo depende da correlação de forças existente na Assembleia da República e do suporte que nela possa ou não encontrar a referida força política.
23/10/2015
O déspota iluminado
A recente comunicação do presidente da República (PR), a propósito da indigitação do presidente do PSD para a função de primeiro-ministro do XX governo constitucional após o 25 de Abril de 1974, ficará certamente para a história como uma das mais tristes, rancorosas, preconceituosas e fracturantes intervenções de um chefe de Estado em Portugal.
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17/10/2015
"Pântano mediático" [1]
Em "A Sociedade do Espectáculo" [2], Guy Debord apresenta ao leitor a sua visão de uma sociedade em que a mercantilização de todas as experiências, a mediatização de todos os discursos e a simplificação de todas as mensagens deformam a realidade, reduzindo-a a puro produto de consumo.
Este fenómeno, que hoje se apresenta perante todos nós praticamente desvelado, determina em boa parte a relação dos seres humanos com o real. Esta relação, que já foi predominantemente directa, transfere-se de forma acelerada para um formato mediado por meios e discursos uniformizados. A sociedade do espectáculo assume a aparência de diversa e plural, mas na verdade é normalizada e superficial.
Este fenómeno, que hoje se apresenta perante todos nós praticamente desvelado, determina em boa parte a relação dos seres humanos com o real. Esta relação, que já foi predominantemente directa, transfere-se de forma acelerada para um formato mediado por meios e discursos uniformizados. A sociedade do espectáculo assume a aparência de diversa e plural, mas na verdade é normalizada e superficial.
14/10/2015
A nova "ameaça vermelha" [actualizado com post-scriptum]
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12/10/2015
"Vêm aí os russos" [e parece que os cubanos também]
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11/10/2015
"Vêm aí os russos"
O quadro político pós-eleitoral, marcado pela perda da maioria absoluta dos mandatos na Assembleia da República por parte da coligação de direita e pela insuficiência de votos e mandatos por parte do PS para formar governo (sozinho), resultou num cenário relativamente inédito, que dá inteira razão aos que antes das eleições foram identificando o propósito exclusivo das legislativas tal como são realizadas em Portugal: escolher 230 deputados e, por essa via, definir a correlação forças no quadro da Assembleia da República.
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