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24/05/2019
Árvores apressadas
Não sou fã da correlação de factores mais ou menos aleatórios na tentativa de comprovar relações de causalidade que sirvam a uma determinada narrativa sobre um assunto. Em todo o caso, quando um tema nos interessa e quando sobre ele andamos a fazer leituras cruzadas é bem possível que num espaço relativamente curto de tempo nos cruzemos com textos que, escritos por pessoas, em lugares e em tempos absolutamente distintos, se relacionem -directa ou indirectamente - de forma mais ou menos evidente. O "El Pais" publicava no passado dia 20 um pequeno texto sobre um estudo que sugere que em algumas partes do mundo, e devido à subida das temperaturas, as árvores estão a crescer mais rápido e a morrer mais depressa, o que entre outras implicações influencia a capacidade das massas florestais para reterem [para "armazenarem"] carbono. O estudo, relativo às espécies Pinus unicinata e Lariz sibirica, sugere igualmente que plantar árvores é uma boa prática, mas que melhor será gerir correctamente as massas florestais já existentes, evitando a desflorestação. Poucas horas depois de ler esta peça sobre árvores apressadas, árvores demasiado ansiosas por crescer e morrer, cruzei-me com um parágrafo de "A prática da natureza selvagem", de Gary Snider, que se refere à atenção e ao tempo [dois elementos da vida natural em acelerada extinção], e que não consegui deixar de relacionar com a imagem de pinheiros negros crescendo mais depressa para morrerem ainda jovens: "com tempo e atenção, voltaremos a ser capazes de os sentir e descobrir de novo" [refere-se aos lugares sagrados dos povos indígenas e "primitivos"]. E aqui o ponto chave parece ser o tempo imposto pela vida moderna - e pelas alterações climáticas - que vai entrando em contradição cada vez mais evidente com variáveis aparentemente imutáveis da vida para lá de nós, humanos.
06/05/2019
5G

Eu não ando a fazer marcação ao jornalista Paulo Moura. Leio-o e ouço-o com a atenção que só se dispensa a quem julgamos merecê-la, num mundo fundamentalmente desatento. E foi precisamente a minha atenção à sua crónica radiofónica desta manhã que me motivou esta prosa. Paulo Moura dedicou a sua crónica à questão - relevante! - da falta de escrutínio sobre grandes corporações que hoje controlam, sobretudo no que se refere a "informação", mais dados que muitos estados [juntos]. O tema é sensível e pertinente, sobretudo quando a chamada tecnologia "5G" parece estar já ali, com todas as imensas transformações que promete. O problema que identifico na crónica de Paulo Moura não diz respeito ao tema nem às suas considerações sobre os problemas que resultarão, inevitavelmente, do salto para o vazio absoluto da digitalização descontrolada; o problema diz respeito à ideia, na minha perspectiva míope ou então pouco séria, de que mau mesmo é a tecnologia 5G nas mãos dos chineses [por eventual oposição ao carácter benigno da mesma tecnologia nas mãos do chamado "ocidente"]. À crónica de Paulo Moura não faltou sequer um momento CMTV, quando se referiu à possibilidade de carros comandados à distância, a partir da China, poderem mediante um clique mal intencionado desatarem a atropelar indefesos cidadãos nas cidades do ocidente. O problema do 5G é, antes de mais, o próprio 5G. Não é o 5G nas mãos erradas, até porque o 5G seguir-se-á um 6G e esse salto ninguém sabe [ainda] quem o dará; é o 5G. O problema do 5G é ser esta tecnologia o momento em que a humanidade mete em definitivo o cano da arma tecnológica na têmpera do seu corpo colectivo. E a arma disparará e a "bala" será letal, independentemente da nacionalidade do fabricante. Paulo Moura identifica na sua crónica uma série de problemas reais que não serão do mundo de amanhã, são de ontem e de hoje. Vale bem a pena ouvi-la. Mas com sentido crítico e sem preconceitos etnocentricos.
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02/05/2019
A revolução não será televisionada [ii]
A meio da tarde do passado dia 30 de Abril boa parte da imprensa indígena dava como certa a vitória do golpe de estado promovido pelos Estados Unidos da América, e no terreno assumido pelo duo golpista Guaidó/López, na República Bolivariana da Venezuela. As notícias veiculadas em Portugal não encontravam qualquer correspondência com a situação real vivida em Caracas, a começar pelo boato/rumor da ocupação da base aérea La Carlota, local onde - a partir do exterior - Guaidó apelou ao início da guerra civil, acompanhado de Leopoldo López e de "meia-dúzia" de militares golpistas totalmente desacompanhados de tropas verdadeiramente mobilizadas para uma qualquer acção de força contra o governo constitucional da Venezuela e contra a maioria popular que o apoia e suporta nas urnas e nas ruas. Imagens transmitidas de dentro da unidade militar La Carlota pelo Canal venezuelano/regional Telesur desmentiam em directo o que se escrevia em Portugal e muito milhares de venezuelanos que se agrupavam em torno de Miraflores - o palácio da presidência - davam resposta em tempo real a quantos, ao longe e aparentemente mal informados, faziam trocadilhos entre o apelido do presidente venezuelano e a "eminente" vitória do patético "golpe" protagonizado pela extrema-direita do partido "Vontade Popular". O golpe, que sendo real merece aspas pela sua natureza infantil, precária, bizarra e distante da população, foi verdadeiramente a demonstração da falta de sustentação das considerações definitivas e concludentes que sobre a Venezuela e a sua situação política se debitam por cá todo o santo dia desde a morte do Comandante Hugo Rafael Chávez Frias. Como um dedo apontado à ignorância de quem, com assinalável arrogância, fala de uma realidade que em absoluto desconhece com a certeza que apenas os tolos ostentam com orgulho perante outros bem menos definitivos na forma como observação, interpretam e analisam situações verdadeiramente complexas. O que se passou entre 30 de Abril e 1 de Maio na Venezuela e nas ruas de Caracas em particular não caracteriza apenas a Venezuela e a sua realidade política, económica, social e cultural; trata-se também de uma oportunidade de ouro para compreendermos o papel que os grandes meios de comunicação social desempenham nestes contextos, procurando moldar percepções, não raras vezes sacrificando de forma absoluta a realidade dos factos.
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15/04/2019
Pular a cerca
Sou um confesso fã da escrita do jornalista Paulo Moura. Leio-o sempre que posso e agora ouço-o também semanalmente, à segunda-feira ou quando calha, na sua crónica semanal na Antena1. Acontece frequentemente olharmos o mesmo assunto de prismas diferentes, o que funciona quase sempre como um elemento mais de dúvida que acrescento às minhas certezas, e isso só pode ser saudável, digo eu. Hoje porém não fui capaz de encontrar na sua crónica sobre a detenção de Julian Assange nenhum elemento novo, a perspectiva é gasta e o argumento baseado no mais repetido lugar comum. De resto parece-me absurda a ideia de que o jornalismo é um género de fiscal do status quo, que funciona simultaneamente como válvula de escape, torneira de segurança, do "sistema". Ou se calhar é mas não deveria ser, sobretudo porque a ordem instituída é alicerçada na mentira e o jornalismo digno desse nome será sempre, a par de outros nobres aspectos caracterizadores, um género de caça à mentira. Ao ouvir esta manhã Paulo Moura lembrei-me de uma sessão sobre "o digital" em que participei na passada semana, e durante a qual uma assistência silenciosa e em plateia levou durante longos minutos com um discurso vestido de novo mas todo ele velho como os trapos sobre as vantagens da "digitalização" - da transferência para "o digital" - dos manuais escolares. E eu ouvia e perguntava-me em silêncio se naquela multidão haveriam mais do que meia-dúzia de pessoas percebendo que a discussão que interessa não é sobre o suporte em que usamos os manuais na escola - se em papel ou projectados no quadro interactivo - mas antes sobre a própria utilização do manual escolar. Quase nada liga a crónica de Paulo Moura e o debate sobre "o digital". E no entanto uma coisa e a outra são expressões de uma mesma lógica que impera nas aparentemente "livres" sociedades modernas deste final de década, em pleno século XXI: a incapacidade de problematizar fora das fronteiras da situação. O status quo é verdadeiramente a pátria mental da Humanidade. Resistir é preciso. Pular a cerca é fundamental.
Créditos: ROB PINNEY/LNP/REX/SHUTTERSTOCK.
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10/08/2016
Jornalismo [parte não sei quantas]
No primeiro capítulo da edição portuguesa de "História da Comuna de 1871", de Prosper-Olivier Lissagaray, pode ler-se as observações do autor sobre o fecho por parte do governo de Thiers, registado a 11 de Março, de quatro jornais republicanos: o Cri du peuple (dirigido por Jules Vallès), o Mot d'ordre, o Pére Duchêne e o Vengeur. Estes jornais tinham, naquela época história do século XIX, numa Paris com pouco mais de um milhão de habitantes, tiragens de 200.000 exemplares, que eram lidos e discutidos. Impressiona.
Quase 150 anos depois, jornais com 200.000 exemplares de tiragem em Portugal só tablóides ou desportivos recolhidos ao final do dia por falta de leitores.
A progressiva deterioração da relação entre jornais e leitores não é nova e há certamente factores extrínsecos à própria realidade editorial que a explicam. Por outro lado, declarações como aquelas concedidas pelo jornalista Carlos Santos Pereira em Fevereiro do presente ano ao Jornal de Leiria ajudam-nos a compreender alguns dos factores intrínsecos que completam o quadro:
Aos Thiers de 2016 já não se coloca a necessidade de mandar calar publicações. Basta controlá-las através das cúpulas financeiras e de directores/editores de confiança.
Quase 150 anos depois, jornais com 200.000 exemplares de tiragem em Portugal só tablóides ou desportivos recolhidos ao final do dia por falta de leitores.
A progressiva deterioração da relação entre jornais e leitores não é nova e há certamente factores extrínsecos à própria realidade editorial que a explicam. Por outro lado, declarações como aquelas concedidas pelo jornalista Carlos Santos Pereira em Fevereiro do presente ano ao Jornal de Leiria ajudam-nos a compreender alguns dos factores intrínsecos que completam o quadro:
Foi nessa ocasião que teve divergências com alguns editores que queriam que divulgasse a informação veiculada pelas agências e não a que tinha recolhido?
Sim, tive choques sistemáticos com diversos editores. Mas não fui o único. Martin Bell, um famoso repórter, dizia que tinha mais problemas com os editores do que com os inimigos.
Esses editores duvidavam da informação que tinha investigado?
Não era duvidar. Os editores lidam com uma série de condicionantes: o ambiente informativo, o que a concorrência diz, as expectativas do próprio público. Têm uma perspectiva da informação completamente diferente da do repórter no terreno. Normalmente, somos atirados para um cenário qualquer, em relação ao qual se criou uma visão mais ou menos consensual e, quando chegamos lá, deparamo-nos com realidades bem mais complexas. E o choque é inevitável. Queríamos denunciar e dar uma visão das coisas que não jogava com a linha da NATO e dos EUA. E como a questão da informação era ultra- sensível naquele conflito, havia pressões enormes.
Alguma vez foi censurado ou obrigado a fazer auto-censura?
Nunca deixei. Agora, porem-me a andar ou tentarem evitar que falasse, sim. O caso da Ucrânia é um bom exemplo. Em toda a parte, estava proibido de contar o que vi. Só publiquei a história na Revista de Ciências Militares. Ao contrário do que seria de esperar, a multiplicação dos canais de comunicação e de informação e o acirrar da concorrência tem o efeito de afunilamento. Nunca a informação foi tão uniforme, tão igual. A resposta à concorrência não é tentar fazer diferente do vizinho. É garantir que eu não deixei de dar aquilo que ele também deu.
Aos Thiers de 2016 já não se coloca a necessidade de mandar calar publicações. Basta controlá-las através das cúpulas financeiras e de directores/editores de confiança.
20/06/2016
o perdócio
Não entrarei no debate sobre os limites éticos de um jornalismo que abandonou desde há muito o seu nobre ideal para transferir a sua actividade primordial para a produção de conteúdos que, através de implacável (e por vezes desenvergonhada) "caça ao clique", procuram reduzir o "perdócio"* em que se foi transformando por falta objectiva de leitores que considerem serem dignas as publicações existentes dos poucos euros que trazem consigo nas carteiras. O que direi sem especular, ou sem entrar em debates para os quais não me sinto totalmente preparado, é que raramente leio uma notícia correcta e exacta no âmbito dos temas que verdadeiramente conheço e domino. Não creio que a falta de exactidão dos jornais se deva fundamentalmente a compromissos não assumidos dos jornalistas com determinado projecto editorial que não tem nem na informação de qualidade o seu motivo primeiro de existir; pelo contrário, penso que a generalidade dos jornalistas acredita naquilo que faz e faz o melhor que pode. O que acontece é que alguns podem pouco, e os que mais podem não têm a liberdade necessária para vencer a inércia e a falta de vontade das suas direcções empresariais. O Público, por exemplo, já foi um jornal digno de se ler. Hoje é fonte para se ir consultando, de vez em quando, de forma cirúrgico (porque subsistem no seu seio jornalistas). O "perdócio"* não é uma contribuição desinteressada, filantrópica, género de mecenato, do mega-grupo económico que o detém. O "perdócio"* continua porque nem tudo é perda, nem tudo é prejuízo. Outros valores se levantam, outros objectivos se concretizam. De entre estes, poucos contribuem de facto para a Democracia.
[* Belmiro de Azevedo, dono do Público, classificou em 2013 o jornal como um "perdócio" - ou seja um negócio sem ganhos e que acumula perdas financeiras - com 25 anos]
[* Belmiro de Azevedo, dono do Público, classificou em 2013 o jornal como um "perdócio" - ou seja um negócio sem ganhos e que acumula perdas financeiras - com 25 anos]
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28/04/2016
2:59
O mundo não é explicável, nem em 2:59 nem numa vida inteira. Não é sequer explicável a razão pela qual o mundo não é explicável. Arrisco em todo o caso afirmar que o Expresso ainda não compreendeu o que Camões viu com clareza há 500 anos: "(...) Todo o mundo é composto de mudança, Tomando sempre novas qualidades. (...)". De resto fundamentar "jornalismo de dados" em "dados" que podem ser lidos de várias formas diferentes não é "jornalismo de dados", é opinião a partir de dados. E opinar não é "explicar".
15/04/2016
"Não vá para um offshore" [Full docs or GTFO]
É lugar comum afirmar-se que, no contexto presente, informação é poder. O Expresso e a TVI são detentores de informação em quantidade astronómica que não libertam, o que os eleva a um estatuto de poder que verdadeiramente nunca tiveram. A informação não é libertada porque a sua disponibilização integral e gratuita - como faz o projecto Wikileaks, por exemplo - reduz drasticamente o poder que neste momento detêm os dois órgãos de comunicação social em questão, para lá de aspectos de natureza comercial que, não sendo o essencial do problema, não podem deixar de ser considerados.
É assim de um enorme cinismo o texto que hoje assina Pedro Santos Guerreiro intitulado "Não vá para um offshore". Nele, o actual director do Expresso convida os leitores - os cidadãos em geral - a desempenharem o seu papel, mantendo o interesse e a pressão relativamente ao escândalo dos Papéis do Panamá. O director do jornal quer os cidadãos ao lado do Expresso, que no entanto não confia aos cidadãos a quem pede apoio toda a informação de que dispõe. O Expresso reivindica para si um estatuto que não merece, e que apenas conserva ao fazer aquilo que do meu ponto de vista não deveria fazer: assumir-se como filtro da informação que lhe chegou às mãos.
É assim de um enorme cinismo o texto que hoje assina Pedro Santos Guerreiro intitulado "Não vá para um offshore". Nele, o actual director do Expresso convida os leitores - os cidadãos em geral - a desempenharem o seu papel, mantendo o interesse e a pressão relativamente ao escândalo dos Papéis do Panamá. O director do jornal quer os cidadãos ao lado do Expresso, que no entanto não confia aos cidadãos a quem pede apoio toda a informação de que dispõe. O Expresso reivindica para si um estatuto que não merece, e que apenas conserva ao fazer aquilo que do meu ponto de vista não deveria fazer: assumir-se como filtro da informação que lhe chegou às mãos.
30/03/2016
Napalm ideológico
Confesso que também a mim a comparação parece excessiva mas com franqueza foi a que me ocorreu quando, clicando no link deixado pelo próprio Miguel Tiago no seu mural de facebook, comecei a ler o texto "Lições dos inimigos da liberdade: PCP e Podemos" [1]: a técnica retórica empregue pela autora na introdução aos seus argumentos - que depois compreendi serem absolutamente inexistentes - assemelha-se aos bombardeamentos de napalm utilizados pelas forças norte-americanas no Vietname como forma de aniquilamento de todos os seres existentes no território bombardeado antes do avanço das tropas de infantaria.
23/03/2016
Bruxelas, o Expresso e a política de direita.
O Expresso, que foi incapaz de dar destaque à nota de imprensa do PCP sobre os atentados de Bruxelas, compôs uma peça bastante infeliz [2] acerca de um post isolado e descontextualizado do Miguel Tiago no Facebook [3].
O post em questão é este: "Tal como a pobreza, a fome, o desemprego, os baixos salários, a criminalidade, a guerra, a degradação cultural, artística, social e ambiental, também o terrorismo é resultado da acção dos NOSSOS governos. Se queremos resolver o terrorismo, temos de acabar com a política de direita aqui. Se queremos só fingir que resolvemos para que mais tarde o terrorismo caia mais violento ainda sobre nós, basta agitar as bandeiras do ódio. As mesmas que, pintadas com estrelinhas sobre um fundo azul, com ou sem riscas vermelhas, se fizeram passar por bandeiras da democracia." [3]
Curiosamente o primeiro comentário ao post do Miguel Tiago é meu: na circunstância escrevi "nem mais", em jeito de absoluta concordância com aquilo que escreveu o Miguel. Voltaria a fazê-lo, por razões que já explicitei ontem e às quais acrescento novos argumentos hoje. Já lá vamos.
O post em questão é este: "Tal como a pobreza, a fome, o desemprego, os baixos salários, a criminalidade, a guerra, a degradação cultural, artística, social e ambiental, também o terrorismo é resultado da acção dos NOSSOS governos. Se queremos resolver o terrorismo, temos de acabar com a política de direita aqui. Se queremos só fingir que resolvemos para que mais tarde o terrorismo caia mais violento ainda sobre nós, basta agitar as bandeiras do ódio. As mesmas que, pintadas com estrelinhas sobre um fundo azul, com ou sem riscas vermelhas, se fizeram passar por bandeiras da democracia." [3]
Curiosamente o primeiro comentário ao post do Miguel Tiago é meu: na circunstância escrevi "nem mais", em jeito de absoluta concordância com aquilo que escreveu o Miguel. Voltaria a fazê-lo, por razões que já explicitei ontem e às quais acrescento novos argumentos hoje. Já lá vamos.
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25/02/2016
O "olho do furacão"
A notícia é do Público e tem data de ontem, 24.02.2016 [1]. No título a metáfora do "olho do furacão", normalmente associada a grande agitação. De forma errada, como sabe qualquer leitor com conhecimentos básicos sobre a realidade dos "furacões"; é que o "olho do furacão", a zona central da tempestade, é em regra caracterizado por condições amenas, contrastantes com aquelas que se verificam na chamada "parede do olho", onde imperam condições severas.
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01/02/2016
"Os sapatos do defunto"
A crónica é uma arte que poucos cumprem com mestria. Talvez por isso me afeiçoe profundamente aos poucos cronistas em que vou identificando a tal arte, pelo menos da forma que a entendo cumprida. Recordo, como exemplos muito queridos, Homero Serpa, n'A Bola ou o Mário Castrim no Tal&Qual.
Este fim-de-semana dediquei-me a um livrinho que resgatou do esquecimento os textos de José Viale Moutinho publicados no DN, entre o final da década de 80 e meados da década de 90. Crónicas bem escritas e melhor pensadas, longe dos lugares comuns e da originalidade postiça que fez e faz escola na pobreza escrita a que se encontram submetidos nos dias que passam os jornais portugueses.
Este fim-de-semana dediquei-me a um livrinho que resgatou do esquecimento os textos de José Viale Moutinho publicados no DN, entre o final da década de 80 e meados da década de 90. Crónicas bem escritas e melhor pensadas, longe dos lugares comuns e da originalidade postiça que fez e faz escola na pobreza escrita a que se encontram submetidos nos dias que passam os jornais portugueses.
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