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29/07/2016

EUA: eleições, media e o engano do "lesser evil".

Mais de um ano de cobertura exaustiva das "primárias" norte-americanas não reservou meia dúzia de linhas (ou de minutos) nos "media de referência" para dar a conhecer (a quem observa de cá) outros candidatos à Casa Branca que não apenas aqueles que disputaram a nomeação das duas grandes organizações políticas do sistema - o Partido Democrata e o Partido Republicano. Quantos portugueses minimamente atentos ao processo eleitoral norte-americano seriam capazes de referir o nome de um candidato à presidência que não esteja envolvido nas refregas internas das duas faces do sistema imperial "made in USA"?

Numa sociedade profunda e irracionalmente mediatizada, a inexistência mediática de um candidato corresponde na prática à anulação da sua candidatura e do seu programa no contexto da batalha política e/ou eleitoral em que se encontra implicado. É assim no país onde um dia alguém com capacidade de determinar a linha editorial de um canal de televisão referiu que se pode vender presidentes como quem vende sabonetes, é assim em maior escala na mais mediatizada das nações humanas, onde a posse exclusivamente privada das grandes cadeias de comunicação de massa facilita o comprometimento (assumido ou não assumido) destas com as facções do sistema.

A capitulação de Bernie Sanders e a sua incorporação assumida na campanha da senhora Clinton contra a candidatura de Donald Trump (a chamada lógica do "lesser evil") abriu no lado esquerdo do espectro político norte-americano espaço suplementar para a afirmação da nova candidatura de Jill Stein à Presidência. Mas por cá poucos conhecem a candidata dos Verdes, o seu programa e a sua campanha. Tal como aconteceu em 2012.

Observo com muita pena a colagem do CPUSA à candidatura oficial do Partido Democrata e receio que esta colagem deixe boa parte da base de apoio dos comunistas norte-americanos (os negros, imigrantes, trabalhadores mal remunerados e operários industriais das zonas tradicionalmente influenciadas pelo que resta do movimento sindical de classe no país) sem uma candidatura de real ruptura com o sistema. E por isso volto-me novamente para a candidatura Verde.

Stein afirma que não há "lesser evil" que resolva os problemas estruturais da sociedade norte-americana: o poder incontestado do sector financeiro, a degradação ambiental acelerada, a constante implicação das forças armadas norte-americanas em guerras de agressão nos quatro cantos do mundo, o problema do racismo e da discriminação dos imigrantes, a pobreza e a injusta repartição da riqueza, os ataques aos direitos, liberdades e garantias de todos, e em particular dos americanos comuns. E por isso, por me rever no fundamental das suas preocupações, procuro acompanhar as suas pouco mediatizadas intervenções públicas.