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23/04/2019

Há um trol em todos nós...

As redes sociais não são apenas o meio, são também a motivação e, de certa forma, o contorno que molda da mensagem. Por isso, quando reagi nas redes sociais - no Facebook - à fotografia e ao texto que Steven Wilson publicou no Instagram relativamente à Páscoa, a Israel e a Roger Waters - tudo em meia dúzia de caracteres - o que fiz foi o que boa parte dos utilizadores das redes sociais fazem: processei a micro-mensagem e, com base em meia-dúzia de caracteres, tomei uma posição [e a ideia de "tomada de posição", neste contexto, é relevante] sobre Wilson e sobre sua aparente falta de vergonha. Quando o fiz violei uma regra que defini para mim há alguns anos e que, com raras excepções, tenho conseguido passar à prática: depois de ler um texto que me irrita profundamente devo respeirar fundo, resistir à tentação de "tomar posição", esperar meia hora [no mínimo] e depois avaliar racionalmente se a coisa merece mesmo o meu contributo para a barulheira virtual. Quer isto dizer que, no que me diz respeito, o sumo da "polémica" relativa à provocação de Steven Wilson a Roger Waters não diz respeito a nenhum dos dois, mas à minha própria pessoa. E quem perdeu, se perdedor houve, fui eu. Como na canção da Adelaide Ferreira. Nada disto retira legitimidade à questão que então coloquei, e que não é nova, longe disso: quais é o limite para a separação entre criação e criador, entre obra e artista, entre artista e homem/mulher para lá da vida artística? Não tenho resposta, mas cheguei a uma conclusão: a minha regra - a tal que quebrei - faz mesmo sentido.