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12/08/2016

"The russians are coming!"

A ministra esperava, mas já não espera, caso contrário o melhor é sentar-se. A "Europa" gosta muito de nós para fazer número, alargar mercados e evitar ovelhas tresmalhadas no rebanho que os alemães vão comandando de acordo com as suas conveniências. Portugal pode arder de ponta-a-ponta, que não serão os nossos "parceiros europeus" - com a honrosa excepção italiana e espanhola, "PIG" portanto - a vir em nosso socorro.

De resto, se a proximidade com o Reino de Marrocos pode explicar a cooperação que já levou aviões de combate a incêndios para a muito martirizada zona de Arouca, a disponibilidade russa para mobilizar meios seus em proveito da protecção civil portuguesa é coisa que terá surpreendido muito comum cidadão habituado à desinformação oficial sobre a maldade estrutural das hordas asiáticas de Moscovo.

Será bom lembrar que em 2014 se falava em "bombardeiros russos intercetados" junto à Costa nacional, notícia que causou grande agitação mediática e uma oportunidade de ouro para os comentadores do costume virem bolsar ácido sobre a Rússia, tendo como pretexto Putin. O contexto, pós-"Euromaidan", alimentava uma russofobia doentia, que aliás se vai mantendo e reproduzindo em contextos que deveria ficar imunes ao preconceito nacionalista (refiro-me por exemplo a comentários que já ouvi e li, no âmbito dos Jogos Olímpicos de 2016).

Os incêndios do Verão de 2016, em Portugal, ficarão como mais um momento de desvelação relativamente à forma como a "Europa" olha para Portugal.

A natureza mercantil da solidariedade de circunstância.

É assim todos os Verões: o país arde, os bombeiros socorrem as populações, o povo apercebe-se da desproporção entre a violência dos incêndios e a falta de meios existentes para o seu combate, e as grandes e médias empresas lançam o arpão da solidariedade de circunstância, segmento da política de marketing que faz chegar o seu nome a todos os lares e cantos de Portugal sem os custos pornográficos de uns quantos segundos comprados antes de uma transmissão televisiva de um jogo de futebol internacional. Trata-se de solidariedade interesseira, e por isso mesmo pouco ou nada solidária.

Acontece que o capitalismo tem isto no seu "adn": a tendência para tudo coisificar, mercantilizar, quantificar sob a forma de custos e proveitos. E numa sociedade em que a semiótica do capital se parece ter imposto de forma dominante, colocando as pessoas comuns a falar a mesma novilíngua que é a sua, o povo encara com inocência e respeito aquilo que não lhe deveria merecer senão sentido crítico e questionamento.

Querem as grandes corporações nacionais ajudar na prevenção e combate aos incêndios? Transfiram as suas sedes fiscais para território nacional. Tudo o resto é folclore que não se distingue no essencial de "piquenicões" e afins.