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19/07/2016

Guerra Civil Espanhola: 80 anos.

Era minha intenção, há meses atrás, assinalar devidamente a passagem dos 80 anos do início da miserável guerra que fascistas espanhóis, italianos, alemães e portugueses desencadearam a 17 de Julho de 1936 contra o governo republicano e a sua base de apoio, constituída fundamentalmente pela classe trabalhadora das várias nacionalidades do Estado Espanhol. Não foi possível, não houve tempo nem capacidade para preparar o texto que se impunha.

Seja como for, a Guerra Civil que entre 1936 e 1939 constituiu a antecâmara da Grande Guerra de 1939-1945, é demasiado relevante para que a data do seu triste início passe sem que neste espaço se recorde todos aqueles que combateram e morreram em defesa da democracia e em luta contra o fascismo. Comunistas, socialistas, anarquistas e outros democratas de várias nacionalidades que durante três anos tudo deram para travar o passo aos movimentos políticos que viriam a estar na origem da completa destruição de boa parte do continente europeu (e não só...). Aos resistentes de 36-39 a minha modesta mas sentida homenagem.

No passaran!
Morte do fascismo.

[na fotografia encontra-se a combatente comunista catalã Marina Ginesta, 1936, Hotel Colón, Barcelona]

15/05/2016

Hiroshima.

Boris Vian escreveu um livro ao qual chamou "O Outono em Pequim". Acontece que na verdade a história não se passa nem no Outono nem em Pequim. O título escolhido por Vian funciona assim como um mecanismo desconcertante de realçar o absurdo.

Outros homens realçaram o absurdo de outras formas. A agressão, entendida como o acto de aplicar a força sobre semelhantes com a intenção de os submeter à vontade do agressor, é uma forma de absurdo que a natureza inventou e que o Homem refinou com base na sua grotesca inteligência. A justificação da agressão indiscriminada, duradoura e punitiva eleva o absurdo a níveis de intolerável palermice. A bomba de Hiroshima, ao contrário do título de Boris Vian, aconteceu mesmo. A bomba caiu, e Hiroshima - a cidade e a sua gente - pereceu. Não há desculpa (nem desculpas) que possa trazer de volta aqueles que a bomba trucidou, durante e depois daqueles miseráveis dias de Agosto de 1945

05/04/2016

Os papéis do Panamá

i. Dirigentes políticos e celebridades gamando à grande em paraísos fiscais é indecente, mas as cotadas do PSI20 todas - atenção: TODAS - sediadas em geografias fiscais mais vantajosas é "boa gestão"; ii. É perguntar aos indignados de circunstância onde andavam quando a "extrema esquerda" se batia - desde há tantos anos quantos alguns têm de vida... - contra a aldrabice dos paraísos fiscais; iii. Redações: já encontraram ligações do Maduros aos offshores? É que está na hora de começar a libertar os nomes dos carolas de Washington DC (mas daqueles que mandam... não é do senador do Wiscosin, ou do Obama); iv. Para lembrar que o Julian Assange, o Bradley Manning e o Edward Snowden viram as suas vidas desgraçadas por terem optado por revelar ao mundo os crimes do regime made in USA. É já agora que o Aaron Swartz foi indirectamente assassinado pelo FBI. E que não foi o único hacker a suicidar-se após perseguição continuada da polícia política norte-americana;

31/03/2016

Livros de 2016 [5]: "Requiem - by the photographers who died in Vietnam and Indochina"

Confesso, com satisfação, que foram muitos os livros que me provocaram os mais tremendos sentimentos, diversos na sua natureza, uniformes num nível de intensidade absolutamente arrebatador. Sentir o que se lê é, muito provavelmente, a mais incrível sensação que as letras, as frases, os textos e as imagens - desenhadas ou registadas em fotografia - podem oferecer a quem ama a literatura, os livros e as histórias que imortalizam. Acontece porém que apenas cinco obras de entre as muitas que li em 38 anos de vida me fizeram chorar. Este "Requiem - by the photographers who died in Vietnam and Indochina" foi uma delas.

17/11/2015

"Business as usual"

A política internacional é um lugar estranho, no qual os princípios fazem episódicas aparições para logo depois se eclipsarem perante o tamanho e o peso dos grandes negócios em torno das armas, das matérias primas e dos recursos energéticos. Aparentes inimigos negociam entre si e aliados no papel combatem-se de forma indirecta nos mais horrendos campos de batalha. O circuito parece complicado mas para o olear existem quantidades industriais de dinheiro, capazes de comprar o silêncio e a cumplicidade dos mais moralistas dos estados da "comunidade internacional".



04/11/2015

"Once there was a war" [Steinbeck e a guerra do passado que ainda é presente]

"Once there was a war" é uma colecção de textos de John Steinbeck escritos durante os anos selvagens da Segunda Grande Guerra mundial, quando o escritor trabalhou como correspondente de guerra acompanhando as tropas norte-americanas na Europa. O livro foi editado em 1958 acompanhado de uma introdução que é em si mesma pelo menos tão interessante quanto as crónicas que contextualiza.