Uma das minhas mais vivas memórias do liceu diz respeito à forma quase clubística como vivíamos - pelo menos na minha escola - a pertença às subtribos musicais do género emergente a que se convencionou chamar "grunge". O grunge nasceu e morreu entre o final dos anos 80 e o final dos anos 90, num período de aplainamento ideológico tramado, marcado pela vitória do reaganismo sobre o resto da paisagem política e pelo anúncio do fim da história, celebrizado pelo infeliz e hoje anacrónico livro de Francis Fukuyama, em 1989. Apesar de não ser uma etiqueta exclusiva das bandas de um determinado género de rock popular no estado de Washington, com capital em Olympia, o grunge foi fundamentalmente associado a Seattle e à sua isolada cena de bandas de cave.
Na minha escola havia o grupo dos indefectíveis dos Pearl Jam e de Eddie Vedder por um lado, e os seus opositores, mais depressivos e janados, unidos em torno de Kurt Cobain e dos Nirvana, apreciadores de música de poucos acordes e letras incompreensíveis, quase absurdas no seu desafio à tentativa de arrumação da realidade em compartimentos estanque. Eu estava do lado dos primeiros.
