Mostrar mensagens com a etiqueta exames. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta exames. Mostrar todas as mensagens

03/12/2015

Professores J.Evans Pritchard indígenas

As reacções da direita ao fim dos exames nacionais prosseguem mas a argumentação utilizada deixa de lado qualquer tipo de preocupação pedagógica relevante. O assunto é ideológico, naturalmente; todavia, se houvesse nos exames algum mérito pedagógico (técnico) relevante seriamos obrigados a reconhecê-lo. Até ao momento ninguém foi capaz de o identificar com clareza.

De resto creio que há um aspecto fundamental a ter em conta no discurso reaccionário sobre os exames em particular e sobre a educação em geral: a ideia de "disciplina nuclear". Não é por acaso que os exames do 4º ano se centravam no português e na matemática, deixando todavia de lado o português e a matemática aplicadas noutros conteúdos.
 

Em Portugal continuamos a achar que saber português implica conhecer a métrica da poesia camoniana ignorando todavia a sua beleza intrínseca. Trata-se naturalmente de uma aberração. "Excrement", diria o saudoso professor Keating.

30/11/2015

Sem sentido

A sub-directora do JN, Inês Cardoso, dedica hoje um texto de opinião [1] ao tema da eliminação dos exames nacionais do 1º ciclo, no qual refere que "concordar com a medida não é, no entanto, sinónimo de considerar correto que o diploma aprovado na Assembleia da República tenha efeitos já este ano". Acrescenta logo de seguida que "professores e alunos têm um calendário de partida, quando arrancam as aulas em setembro. Têm um planeamento, objetivos fixados e momentos de avaliação calendarizados". Leio o texto da sub-directora do JN e recordo as palavras da aluna Sofia Rosa, que se perguntava meio perdida para que serviriam as aulas se já não existem exames [2].

30/10/2015

O paradigma Crato no discurso público em torno da "educação" ["Another brick in the wall"]

Não fixei o nome da escola nem da respectiva associação de pais, mas compreendi que a situação é mais ou menos esta: uma escola com contrato de autonomia permanece sem professores numa disciplina considerada "nuclear"; a associação de pais insurgiu-se contra a situação, o que é natural, embora me pareça que pelas piores razões: o que preocupa os pais não é tanto que os miúdos se vejam impossibilitados de abordar os temas contidos no programa da tal disciplina (facto que é, em si mesmo, toda uma discussão à parte), coisa que no sistema de instrução tradicional requer a presença de professor qualificado; o problema parece ser outro: o exame, a sua preparação e, claro está, a desvantagem em que os seus filhos se encontram face a outros alunos que já preparam o chamado "momento da verdade".