Mostrar mensagens com a etiqueta estados unidos da américa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta estados unidos da américa. Mostrar todas as mensagens

31/05/2019

Gary Snyder



[Ecologia profunda, ecologia que vem de dentro, da íntima relação com o espaço, com a realidade material e com a dimensão imaterial que é parte da consciência de cada lugar, ecossistema, bioregião]

02/05/2019

A revolução não será televisionada [ii]

A meio da tarde do passado dia 30 de Abril boa parte da imprensa indígena dava como certa a vitória do golpe de estado promovido pelos Estados Unidos da América, e no terreno assumido pelo duo golpista Guaidó/López, na República Bolivariana da Venezuela. As notícias veiculadas em Portugal não encontravam qualquer correspondência com a situação real vivida em Caracas, a começar pelo boato/rumor da ocupação da base aérea La Carlota, local onde - a partir do exterior - Guaidó apelou ao início da guerra civil, acompanhado de Leopoldo López e de "meia-dúzia" de militares golpistas totalmente desacompanhados de tropas verdadeiramente mobilizadas para uma qualquer acção de força contra o governo constitucional da Venezuela e contra a maioria popular que o apoia e suporta nas urnas e nas ruas. Imagens transmitidas de dentro da unidade militar La Carlota pelo Canal venezuelano/regional Telesur desmentiam em directo o que se escrevia em Portugal e muito milhares de venezuelanos que se agrupavam em torno de Miraflores - o palácio da presidência - davam resposta em tempo real a quantos, ao longe e aparentemente mal informados, faziam trocadilhos entre o apelido do presidente venezuelano e a "eminente" vitória do patético "golpe" protagonizado pela extrema-direita do partido "Vontade Popular". O golpe, que sendo real merece aspas pela sua natureza infantil, precária, bizarra e distante da população, foi verdadeiramente a demonstração da falta de sustentação das considerações definitivas e concludentes que sobre a Venezuela e a sua situação política se debitam por cá todo o santo dia desde a morte do Comandante Hugo Rafael Chávez Frias. Como um dedo apontado à ignorância de quem, com assinalável arrogância, fala de uma realidade que em absoluto desconhece com a certeza que apenas os tolos ostentam com orgulho perante outros bem menos definitivos na forma como observação, interpretam e analisam situações verdadeiramente complexas. O que se passou entre 30 de Abril e 1 de Maio na Venezuela e nas ruas de Caracas em particular não caracteriza apenas a Venezuela e a sua realidade política, económica, social e cultural; trata-se também de uma oportunidade de ouro para compreendermos o papel que os grandes meios de comunicação social desempenham nestes contextos, procurando moldar percepções, não raras vezes sacrificando de forma absoluta a realidade dos factos.

09/09/2016

The Veil

Divulgada ontem, e hoje disponível nas principais plataformas de streaming, The Veil é a canção criada por Peter Gabriel para o filme "Snowden", de Oliver Stone [trailer].

05/09/2016

Os índios da Pradaria

Os Lakota, também conhecidos como índios da pradaria, são um povo indígena da América do Norte, cujas terras originais se estendiam pelos actuais estados norte-americanos do Dacota do Sul e do Norte. Formados por sete tribos vizinhas, entre as quais se encontram os Sioux, os Lakota imigraram para o Norte, oriundos do baixo Mississipi, e ali se fixaram vivendo da agricultura e da caça do búfalo, actividade iniciada após a introdução do cavalo na vida das comunidades, no século XVIII. É em parte da vida dos Lakota que falam grandes produções de Hollywood, como "Dances with wolves" ("Danças com lobos"), filme realizado a partir do romance homónimo, de Michael Blake.


É sabido que as tribos Lakota resistiram ao processo de violenta invasão e colonização branca dos seus territórios, e que essa resistências lhes valeu uma sucessão de massacres, guerras e outros actos de violência brutal por parte do exército norte-americano, que no final do século XIX dizimou populações inteiras de búfalos, de forma a vergar os Lakota, obrigando-os a aceitar a vida em reservas e a dependência de rações alimentares fornecidas pelo governo federal.

Em 1890 dá-se o tristemente célebre massacre de Wounded Knee, na reserva de Pine Ridge (Dacota do Sul), no qual foram mortos centenas de índios, incluindo mulheres e crianças. Depois de várias guerras, traições, promessas quebradas e imposição da fome e do sangue, as autoridades federais obtiveram por fim domínio sobre a Nação Lakota, que em todo o caso é coisa diferente de se dizer que os Lakota foram submetidos à vontade dos seus colonizadores.

Insubmissão em Pine Ridge

A memória de Wounded Knee encontra-se bem viva no seio dos Lakota, e ao longo do século XX muitos foram os incidentes que, com maior ou menor gravidade, maior ou menor visibilidade, mostraram aos norte-americanos e ao mundo que a Nação Lakota se encontra bem longe da domesticação desejada pelo imperialismo.

No início dos anos 70 é criado o American Indian Movement (AIM), assistindo-se a um reforço da luta dos ameríndios Lakota contra as imposições federais. As tensões acumuladas tiveram grave desfecho em Junho de 1975, quando um tiroteio ocorrido na reserva resultou na morte de dois agentes federais e um activista do AIM. Os agentes federais responsáveis pela morte do activista ameríndio foram absolvidos, mas Leonard Peltier, o bem conhecido activista acusado pela morte dos agentes federais caídos, foi condenado a duas penas de prisão perpétua, encontrando-se actualmente na penitenciária federal Coleman, na Florida.

Petróleo na pradaria

O Dakota Access Pipeline Project é um projecto em concretização, que visa construir um enorme "pipeline" para transportar petróleo ao longo de mais de 1.000 quilómetros entre o Dacota do Norte e o Illinois. O tubo atravessa vastas áreas naturais, que incluem territórios que os tratados reservam à Nação Lakota, colocando em risco sítios arqueológicos considerados sagrados pelos Lakota, reservas e cursos de água, terras que as tribos ameríndias vêem como a raiz da sua cultura e identidade.

Os Lakota afirmam, e as evidências parecem confirmar os seus argumentos, que as rupturas de pipelines no Dacota do Norte têm sido frequentes, contaminando as suas terras e dizimando a vida que nelas procura encontrar a tranquilidade aniquilada noutras paragens.

A luta dos Lakota contra o Dakota Access Pipeline tem sido intensa, violenta e olimpicamente ignorada pela imprensa norte-americana e internacional. É precisamente por isso que deste espaço lanço aos índios da pradaria o meu grito de solidariedade e apoio à defesa da sua cultura, das suas terras, memória, identidade e forma de vida. Porque a luta dos Lakota pode não fazer parte dos espaços de entretenimento-informativo a que chamamos "telejornais" (e afins), mas não pode deixar de receber, nos espaços de comunicação livres dos "critérios editoriais" do sistema, o apoio e a divulgação merecida.

30/08/2016

O muro de Doonbeg

O muro que Trump afirma querer erguer na fronteira entre os EUA e o México é o mais conhecido dos muros do debate político actual, mas não é o único. O mundo encontra-se cheio de muros, apesar de parecer que todos caíram em 1989.


Doonbeg é uma pequena povoação do sudoeste irlandês, não muito longe de Limerick e Shannon, locais que me habituei a reverenciar muito por força do Rugby que ali tem não apenas força mas verdadeira implantação popular. Limerick é também célebre por ali ter existido durante breve período uma comuna soviética, a fazer lembrar a 1871. Acontece que o que em 2016 está a colocar Doonbeg no mapa mediático não são nem o Rugby nem a luta dos trabalhadores irlandeses, mas o senhor Trump.

É bom começar por recordar que Trump, o Partido Republicano e a sua facção mais fundamentalista, conhecida por Tea Party, são partidários da tese segundo a qual as alterações climáticas (às quais insistem em chamar "aquecimento global") não passam de um embuste. O programa político e económico de Trump para os EUA tem nesta tese um dos seus alicerces fundamentais, propondo-se assim reverter as tímidas medidas da administração cessante em matéria ambiental, e lançar-se novamente numa disputa pela primeira posição da economia mundial com a China, sem qualquer preocupação relativamente às consequências ambientais resultantes dessa sua bélica estratégia económica.

Ora, a principal demonstração de que Trump conhece - e reconhece - a contradição do seu discurso encontra-se em Doonbeg, onde detém um empreendimento turístico que inclui um campo de golfe bem junto ao mar, e que por se encontrar ameaçado pelo efeito da erosão da costa e pelas tempestades motivou um pedido de Trump junto das autoridades irlandesas para ali ser construído um muro de quase 3 quilómetros, com o objectivo único de proteger o seu investimento dos efeitos das alterações climáticas - e da degradação ambiental evidente - que nos EUA afirma não passarem de embustes com o objectivo de beneficiar a economia chinesa face à americana.

Existem várias semelhantes, vários pontos de intercepção, entre os muros que Trump projecta para um futuro próximo, o mexicano e o irlandês: ambos se fundamentam em visões hipócritas, desinformadas e irresponsáveis face ao futuro. Trump afirma que quem pagará o muro mexicano é precisamente o México, e na Irlanda não será diferente, já que o campo de golfe pode ser seu mas a destruição ambiental com que pretende brindar Doonbeg ficará - a concretizar-se - para os irlandeses, como memória da passagem pela face de terra de um ser não menos populista e perigoso do que criaturas como Benito Mussolini ou Francisco Franco.

É hoje para todos uma evidência que é fundamental derrotar Trump nas eleições norte-americanas de Novembro. O que urge igualmente compreender é que Trump é acima de tudo um símbolo de uma mundivisão dominante, que domina os media, molda consciências, desinforma, mesmo quando maldiz Trump. Ele é a expressão de um sistema económico, social, político, cultural e ambiental que se impõe sobretudo através da inacção das pessoas comuns, esmagadas pelas dificuldades da vida, por horários de trabalho intermináveis, pela pressão do complexo tecnológico-industrial e pela afirmação asfixiante da ideia de consumo - sobretudo tecnológico - como atalho fácil para uma vida mais feliz.

29/07/2016

Hillary Trump

Grafismos interessantes: há uma efeito interessante na sobreposição entre os melhores resultados de Trump e os melhores resultados da senhora Clinton nas primárias dos respectivos partidos.

Primárias do Partido Democrata

Primárias do Partido Republicano


[Fonte: wikipedia]

EUA: eleições, media e o engano do "lesser evil".

Mais de um ano de cobertura exaustiva das "primárias" norte-americanas não reservou meia dúzia de linhas (ou de minutos) nos "media de referência" para dar a conhecer (a quem observa de cá) outros candidatos à Casa Branca que não apenas aqueles que disputaram a nomeação das duas grandes organizações políticas do sistema - o Partido Democrata e o Partido Republicano. Quantos portugueses minimamente atentos ao processo eleitoral norte-americano seriam capazes de referir o nome de um candidato à presidência que não esteja envolvido nas refregas internas das duas faces do sistema imperial "made in USA"?

Numa sociedade profunda e irracionalmente mediatizada, a inexistência mediática de um candidato corresponde na prática à anulação da sua candidatura e do seu programa no contexto da batalha política e/ou eleitoral em que se encontra implicado. É assim no país onde um dia alguém com capacidade de determinar a linha editorial de um canal de televisão referiu que se pode vender presidentes como quem vende sabonetes, é assim em maior escala na mais mediatizada das nações humanas, onde a posse exclusivamente privada das grandes cadeias de comunicação de massa facilita o comprometimento (assumido ou não assumido) destas com as facções do sistema.

A capitulação de Bernie Sanders e a sua incorporação assumida na campanha da senhora Clinton contra a candidatura de Donald Trump (a chamada lógica do "lesser evil") abriu no lado esquerdo do espectro político norte-americano espaço suplementar para a afirmação da nova candidatura de Jill Stein à Presidência. Mas por cá poucos conhecem a candidata dos Verdes, o seu programa e a sua campanha. Tal como aconteceu em 2012.

Observo com muita pena a colagem do CPUSA à candidatura oficial do Partido Democrata e receio que esta colagem deixe boa parte da base de apoio dos comunistas norte-americanos (os negros, imigrantes, trabalhadores mal remunerados e operários industriais das zonas tradicionalmente influenciadas pelo que resta do movimento sindical de classe no país) sem uma candidatura de real ruptura com o sistema. E por isso volto-me novamente para a candidatura Verde.

Stein afirma que não há "lesser evil" que resolva os problemas estruturais da sociedade norte-americana: o poder incontestado do sector financeiro, a degradação ambiental acelerada, a constante implicação das forças armadas norte-americanas em guerras de agressão nos quatro cantos do mundo, o problema do racismo e da discriminação dos imigrantes, a pobreza e a injusta repartição da riqueza, os ataques aos direitos, liberdades e garantias de todos, e em particular dos americanos comuns. E por isso, por me rever no fundamental das suas preocupações, procuro acompanhar as suas pouco mediatizadas intervenções públicas.


16/04/2016

Citizen Four

"From now, know that every border you cross, every purchase you make, every call you dial, every cell phone tower you pass, friend you keep, article you write, site you visit, subject line you type, and packet you route, is in the hands of a system whose reach is unlimited but whose safeguards are not. Your victimization by the NSA system means that you are well aware of the threat that unrestricted, secret abilities pose for democracies. This is a story that few but you can tell."

[texto completo aqui]


Livros de 2016 [7]: "Geronimo (por ele próprio)".

"Geronimo (por ele próprio)", é uma obra interessante, que revela as memórias fundamentais do mais célebre líder apache do final do período de liberdade para os índios norte-americanos na costa este do país, entre os actuais Estados do sul dos EUA e o norte do México.

A edição da Antígona inclui uma muito interessante introdução, por Frederick W. Turner III, um texto que enquadra as palavras de Geronimo num contexto mais abrangente marcado pelo embate violento entre culturas naquela segunda metade do segundo milénio d.C., quando os brancos europeus - de várias nacionalidades - reivindicaram como direito seu expulsar das suas terras ancestrais (e explorar em benefício próprio as respectivas riquezas naturais, não raras vezes até ao seu esgotamento total) os aborígenes do continente americano. Creio que o prefácio tem interesse superior à própria narrativa de Geronimo.

31/03/2016

Livros de 2016 [5]: "Requiem - by the photographers who died in Vietnam and Indochina"

Confesso, com satisfação, que foram muitos os livros que me provocaram os mais tremendos sentimentos, diversos na sua natureza, uniformes num nível de intensidade absolutamente arrebatador. Sentir o que se lê é, muito provavelmente, a mais incrível sensação que as letras, as frases, os textos e as imagens - desenhadas ou registadas em fotografia - podem oferecer a quem ama a literatura, os livros e as histórias que imortalizam. Acontece porém que apenas cinco obras de entre as muitas que li em 38 anos de vida me fizeram chorar. Este "Requiem - by the photographers who died in Vietnam and Indochina" foi uma delas.

24/03/2016

Cobain

Uma das minhas mais vivas memórias do liceu diz respeito à forma quase clubística como vivíamos - pelo menos na minha escola - a pertença às subtribos musicais do género emergente a que se convencionou chamar "grunge". O grunge nasceu e morreu entre o final dos anos 80 e o final dos anos 90, num período de aplainamento ideológico tramado, marcado pela vitória do reaganismo sobre o resto da paisagem política e pelo anúncio do fim da história, celebrizado pelo infeliz e hoje anacrónico livro de Francis Fukuyama, em 1989. Apesar de não ser uma etiqueta exclusiva das bandas de um determinado género de rock popular no estado de Washington, com capital em Olympia, o grunge foi fundamentalmente associado a Seattle e à sua isolada cena de bandas de cave.


Na minha escola havia o grupo dos indefectíveis dos Pearl Jam e de Eddie Vedder por um lado, e os seus opositores, mais depressivos e janados, unidos em torno de Kurt Cobain e dos Nirvana, apreciadores de música de poucos acordes e letras incompreensíveis, quase absurdas no seu desafio à tentativa de arrumação da realidade em compartimentos estanque. Eu estava do lado dos primeiros.

23/03/2016

Bruxelas, o Expresso e a política de direita.

O Expresso, que foi incapaz de dar destaque à nota de imprensa do PCP sobre os atentados de Bruxelas, compôs uma peça bastante infeliz [2] acerca de um post isolado e descontextualizado do Miguel Tiago no Facebook [3].

O post em questão é este: "Tal como a pobreza, a fome, o desemprego, os baixos salários, a criminalidade, a guerra, a degradação cultural, artística, social e ambiental, também o terrorismo é resultado da acção dos NOSSOS governos. Se queremos resolver o terrorismo, temos de acabar com a política de direita aqui. Se queremos só fingir que resolvemos para que mais tarde o terrorismo caia mais violento ainda sobre nós, basta agitar as bandeiras do ódio. As mesmas que, pintadas com estrelinhas sobre um fundo azul, com ou sem riscas vermelhas, se fizeram passar por bandeiras da democracia." [3]

Curiosamente o primeiro comentário ao post do Miguel Tiago é meu: na circunstância escrevi "nem mais", em jeito de absoluta concordância com aquilo que escreveu o Miguel. Voltaria a fazê-lo, por razões que já explicitei ontem e às quais acrescento novos argumentos hoje. Já lá vamos.

03/03/2016

"Symphony of Destruction" [*]

Não há "super terça-feira" que valha ao super-circo que são, de facto, as eleições presidenciais made in USA. O que muitos apresentam como uma prova da vitalidade da democracia do regime político de referência para aqueles que teimam em definir-se como "ocidentais" é antes, na minha perspectiva, a triste e patética ilustração da sua decrepitude.

As eleições primárias norte-americanas são um espectáculo encenado de A a Z que poucos compreendem verdadeiramente na sua natureza e mecânica própria. Esta semana falou-se muito da "super terça-feira" e pouquíssimo acerca da complexidade do sistema de apuramento da eleição de delegados em cada um dos dois partidos do sistema bicéfalo ianque. O sistema não é claro nem transparente, como bem demonstrou o canal russo RT em recente peça sobre as primárias no país modelo da chamada "democracia ocidental" [1].