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06/06/2019

Interrogação [na ressaca do Portugal x Suiça]

Existe uma dimensão religiosa na vivência do fenómeno desportivo que se expressa na prática de diversas formas, incluindo na higienização dos ídolos, face reversa da outra mais comercial, que passa pela sua transformação primeiro em marca e depois em mercadoria destinada ao ciclo de promoção, compra, venda e/ou troca. Para as grandes massas, os ídolos são seres relativamente aos quais não se imaginam pecados, ou cujos pecados - quando conhecidos - são grosseiramente ignorados, por se considerem de valor inferior ao ganho - material e imaterial - que o ídolo em acção proporciona à comunidade como um todo e a cada um dos seus membros em particular. Ronaldo, por exemplo, é hoje tema de conversa um pouco por todo o país e, claro está, pelo mundo fora. Os três golos com que despachou a Suiça na meia-final da presente edição da Liga das Nações são bem a prova da qualidade do jogador, depois catapultada pela já referida dimensão religiosa na vivência do fenómeno desportivo para uma dimensão supra-desportiva que é, quanto a mim, inteiramente questionável. Nem sempre um jogador de excelência é uma pessoa cuja conduta fora de campo merece semelhante admiração. Na verdade - e isto não se aplica apenas a jogadores de futebol - o ser humano é por natureza um poço de contradições e conflitos que se agudizam quando a vida lhe proporciona os meios para lhes dar maior dimensão. Como aconteceu a Ronaldo. É que o homem que ontem subiu - uma vez mais - aos píncaros do mérito desportivo, para gáudio - natural e justificado - daqueles que vibram com a selecção portuguesa de futebol sénior masculina é o mesmo ser que se encontra desde o início de 2019 condenado a 23 meses de cadeia [depois substituídos por uma multa de 360.000,00€] mais uma multa de 18.800.000,00€ [perto de 19 milhões de euros] por fraude fiscal. E isto não sou capaz de ignorar, quer na minha visão sobre quem é Cristiano Ronaldo no quadro da psicologia colectiva deste povo, quer na forma como interpreto a absolvição colectiva que lhe atribuímos enquanto condenamos - moralmente - qualquer pobre apanhado em delito cujo grau de gravidade é infinitamente menor. Pode um povo sem paciência para os miseráveis que acusa de "viverem do Estado" curvar-se perante quem, independentemente de méritos desportivos, pratica contra o Estado e os seus recursos "fraude fiscal" envolvendo valores astronómicos para o bolso da esmagadora maioria?

19/07/2016

Guerra Civil Espanhola: 80 anos.

Era minha intenção, há meses atrás, assinalar devidamente a passagem dos 80 anos do início da miserável guerra que fascistas espanhóis, italianos, alemães e portugueses desencadearam a 17 de Julho de 1936 contra o governo republicano e a sua base de apoio, constituída fundamentalmente pela classe trabalhadora das várias nacionalidades do Estado Espanhol. Não foi possível, não houve tempo nem capacidade para preparar o texto que se impunha.

Seja como for, a Guerra Civil que entre 1936 e 1939 constituiu a antecâmara da Grande Guerra de 1939-1945, é demasiado relevante para que a data do seu triste início passe sem que neste espaço se recorde todos aqueles que combateram e morreram em defesa da democracia e em luta contra o fascismo. Comunistas, socialistas, anarquistas e outros democratas de várias nacionalidades que durante três anos tudo deram para travar o passo aos movimentos políticos que viriam a estar na origem da completa destruição de boa parte do continente europeu (e não só...). Aos resistentes de 36-39 a minha modesta mas sentida homenagem.

No passaran!
Morte do fascismo.

[na fotografia encontra-se a combatente comunista catalã Marina Ginesta, 1936, Hotel Colón, Barcelona]

17/03/2016

Os sírios e os animais.

As imagens de adeptos de um clube de futebol holandês atirando moedas a pedintes numa praça do centro de Madrid chocaram certamente todas as pessoas que não se identificam com a animalização - no pior sentido da expressão - das relações humanas.

Leio por aí que os seres humanos sujeitos ao tratamento indigno por parte dos holandeses eram na verdade refugiados sírios, o que de resto é mais ou menos indiferente para o caso: é a sua condição e não a sua nacionalidade que torna absolutamente vil e repulsiva a chuva de moedas que em Madrid causou a indignação das pessoas que, passando pela praça em questão, não se coibiram de confrontar os animais de bolsos cheios que usavam o desespero alheio em benefício do seu gozo pessoal.

01/03/2016

8719600510 [Arnaldo Askatu!]

Seis anos e meio depois o dirigente da esquerda independentista basca Arnaldo Otegi é libertado da cadeia de Logroño, onde se encontrava encarcerado. Otegi sai em liberdade mas nas cadeias espanholas permanecem muitos militantes políticos, independentistas ou não, que o mundo que se auto-intitula como "democrático e livre" insiste em não reconhecer como presos políticos.

O País Basco inicia nova fase da sua luta pela autodeterminação, um direito teórico que a própria declaração dos direitos universais do Homem protege, mas que Estados como o espanhol colocam liminarmente de lado.


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