Os "maus resultados" verificados em provas e exames de matemática são motivo recorrente de notícias de Verão. A propósito dos resultados verificados este ano, "
a presidente da Associação de Professores de Matemática considera que é urgente rever o programa da disciplina no ensino básico", acrescentando que "o programa é uma das principais causas para o afastamento dos alunos em relação a esta disciplina".
O programa, leio por aí, tem três anos de vigência, vinculando-se ao período de Nuno Crato (ele próprio matemático) como Ministro com a tutela da educação. Não me espanta que Lurdes Figueiral tema que o dito cujo "
aumentar a aversão dos alunos à Matemática".
Antes de colocar a questão que me parece essencial faço uma nota prévia para lembrar que
aquilo que provas e exames explicitam não é o que o aluno sabe, mas apenas aquilo que, relativamente ao enunciado em questão, o aluno não soube responder de acordo com o critério de correcção. Assim, tal como o próprio Crato,
não tiro conclusões muito definitivas tendo por base resultados de provas e exames (em todo o caso por razões diametralmente opostas...).
Posto isto, creio que é tempo da Escola procurar compreender as razões do "insucesso" e sobretudo da desmotivação de alunos e professores face ao que dentro delas se passa indo um pouco além do óbvio (os programas, as condições materiais, os problemas administrativos do costume, a colocação de professores, etc...). O óbvio é fundamental, claro está. Em todo o caso não esgota o assunto.
A Escola do século XXI tem cumprido um movimento de involução que assusta. Exemplo dessa tendência foi (é?) o ressurgimento da ideia de disciplinas nucleares, dentro de uma hierarquização que define língua materna e inglês, matemática e ciências naturais como disciplinas fundamentais face a outras acessórias. Ou a segmentação de conteúdos, programas e abordagens entre disciplinas (as nucleares e as outras), que funcionam como uma espécie de quintas que apenas por via da boa vontade dos professores se vão cruzando aqui e ali, proporcionando ao "discente" uma visão alargada da vida através dos "programas" e respectiva exploração pedagógica.
Pode o ME reformular programas, rever "metas curriculares", endurecer regimes de examinação (já há quem o exija, num género de fuga desvairada em direcção ao precipício), reforçar horas das disciplinas "nucleares" e trucidar as restantes que apenas interessarão a líricos do romantismo que não compreende ser a Escola uma fábrica de produção de mão-de-obra mais ou menos qualificada, dependendo da classe social de origem e, por vezes, das próprias "capacidades" do discente. Temo bem que nada disto resolva o problema base de um insucesso que tem na própria Escola a sua base de inesgotável renovação.
* resposta: para que não possam fugir delas.