As comemorações do chamado "Dia D", data do desembarque de tropas aliadas nas praias do norte de França, têm sido palco para um miserável exercício de revisionismo histórico que, uma vez mais, relativiza e menoriza o papel incontornavelmente principal do Exército Vermelho na fragilização das forças armadas hitlerianas e na libertação de dois terços da Europa, incluindo dos campos de concentração e extermínio que na fase final da guerra subsistiam na parte oriental da zona de conflito, incluindo o Complexo de Auschwitz-Bikernau. A abertura de uma segunda frente na luta contra o fascismo hitleriano foi desde muito cedo um pedido formulado pela União Soviética às forças que no lado ocidente se opunham ao "III Reich", sendo esta adiada de forma a promover o desgaste e a destruição de alemães, soviéticos e outros povos apanhados pelo caminho na chamada "Frente Oriental". O desembarque na Normandia aconteceu quando se tornou evidente para ingleses, franceses e norte-americanos que o acelerado avanço soviético poderia resultar na tomada não apenas de Berlim mas de todo o território alemão antes das tropas "aliadas" ali chegarem, marcando um terreno e uma zona de influência que mais tarde viria a chamar-se [como aliás ainda se chama hoje] República Federal Alemã. Nada disto retira um milímetro de mérito, honra e heroísmo aos homens e às mulheres que desembarcaram e lutaram contra os fascistas naquele dia 6 de Junho de 1944. Da mesma forma que o anti-comunismo de muitos que falam sem os mais básicos conhecimentos sobre os acontecimentos de 1933-1945 não deveria jamais fazê-los esquecer que a URSS perdeu entre 1933 e 1945 mais de 25 milhões de pessoas entre tropas, partizans e civis, armados e desarmados. Nenhum outro país sofreu tanto com uma guerra, talvez com a excepção, em proporção, da Sérvia durante a Primeira Grande Guerra 1914-1918.
As comemorações do chamado "Dia D" têm também servido de pretexto para muitos lembrarem o chamado "Pacto de Não-Agressão" assinado entre soviéticos e alemães pouco antes da invasão da Polónia pelas Wehrmacht. O "pacto" foi de facto assinado, não há como negar. Mas não pode de forma alguma ser entendido sem a análise de todos os esforços empreendidos pelos soviéticos durante os anos 30 no sentido de prevenir a guerra, tão pouco sem se ter em conta que a década de 30 do século XX foi fértil em pactos e acordos diversos, alguns dos quais pelo menos tão difíceis de compreender, na anacrónica visão que impera em 2019 face aos acontecimentos de 33-45, como o célebre pacto Molotov-Ribbentrop. Refiro-me por exemplo [porque outros existiram e foram de facto importantes num contexto de grande volatilidade e interdependências] ao chamado "Acordo de Munique", assinado entre fascistas, ingleses e franceses, e que ofereceu parte da Checoslováquia aos nazis numa bandeja, ou ao "Pacto de Não-Agressão" assinado entre polacos e nazis em Janeiro de 1934, cinco anos antes da Wehrmacht ter entrado em território polaco e iniciado a II Grande Guerra. Existe sobre a matéria - sobre os anos 30 e sobre as alianças, pactos e acordos então firmados - extensa bibliografia que é capaz de ser mais elucidativa relativamente ao contexto pré-guerra do que as séries documentais do canal História.
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07/06/2019
Revisionismo
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11/09/2016
11.09.1973 - 11.09.2016
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Salvador Allende
04/09/2016
Festa do Avante! [dia 2]
O dia 2 da Festa foi muito longo, a terminar com um turno de 4 horas na Feira da Ladra da ORL*. Do dia destaco, tal como na Festa de 2015, o curto mas intenso concerto dos Torga, a entrada em palco do João Sampayo dos Peste & Sida vestido de televisão (e ao som de "Estrela da TV"), e este miúdo que a fotografia revela com artes e acrobacias (seguras) numa trave a 4 metros do chão, no espaço da criança. Não foi "um número", o rapaz subiu porque se sentia bem lá em cima, e por ali andou como se a trave estivesse a um palmo do chão, sem pressões. Porque na verdade, se a trave estivesse a um palmo do chão muitos de nós seriamos capazes de a atravessar várias vezes sem desequilíbrios, mas também sem perceber que muitas vezes o que nos angustia, bloqueia e aterroriza não é uma tarefa mas o contexto que a rodeia.
* Organização Regional de Lisboa.
* Organização Regional de Lisboa.
03/09/2016
Festa do Avante! [dia 1]
Passei a noite de ontem no recinto da Festa do Avante!, que até 2015 era "apenas" a Quinta da Atalaia, e que em 2016 tem também a Quinta do Cabo. De todo o muito que haveria para contar opto por aquilo que mais me impressionou: durante toda a noite observei a muita gente sentada nas esplanadas; não me lembro de mais de meia-dúzia de pessoas agarradas ao telefone. Não vi "selfies", embora esteja certo de que foram registadas muitas. Não me lembro sequer da habitual deposição dos telefones em cima das mesas, lugar comum das esplanadas de cidade e praia, nos tempos que correm. Quer isto dizer que são os comunistas e os visitantes da Festa gente superiormente esclarecida relativamente aos malefícios da utilização desvairada das tecnologias digitais? Não creio. A resposta está num ambiente que convida à presença, à conversa, ao convívio, à atenção mútua.
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19/07/2016
Guerra Civil Espanhola: 80 anos.
Era minha intenção, há meses atrás, assinalar devidamente a passagem dos 80 anos do início da miserável guerra que fascistas espanhóis, italianos, alemães e portugueses desencadearam a 17 de Julho de 1936 contra o governo republicano e a sua base de apoio, constituída fundamentalmente pela classe trabalhadora das várias nacionalidades do Estado Espanhol. Não foi possível, não houve tempo nem capacidade para preparar o texto que se impunha.
Seja como for, a Guerra Civil que entre 1936 e 1939 constituiu a antecâmara da Grande Guerra de 1939-1945, é demasiado relevante para que a data do seu triste início passe sem que neste espaço se recorde todos aqueles que combateram e morreram em defesa da democracia e em luta contra o fascismo. Comunistas, socialistas, anarquistas e outros democratas de várias nacionalidades que durante três anos tudo deram para travar o passo aos movimentos políticos que viriam a estar na origem da completa destruição de boa parte do continente europeu (e não só...). Aos resistentes de 36-39 a minha modesta mas sentida homenagem.
No passaran!
Morte do fascismo.
[na fotografia encontra-se a combatente comunista catalã Marina Ginesta, 1936, Hotel Colón, Barcelona]
Seja como for, a Guerra Civil que entre 1936 e 1939 constituiu a antecâmara da Grande Guerra de 1939-1945, é demasiado relevante para que a data do seu triste início passe sem que neste espaço se recorde todos aqueles que combateram e morreram em defesa da democracia e em luta contra o fascismo. Comunistas, socialistas, anarquistas e outros democratas de várias nacionalidades que durante três anos tudo deram para travar o passo aos movimentos políticos que viriam a estar na origem da completa destruição de boa parte do continente europeu (e não só...). Aos resistentes de 36-39 a minha modesta mas sentida homenagem.
No passaran!
Morte do fascismo.
[na fotografia encontra-se a combatente comunista catalã Marina Ginesta, 1936, Hotel Colón, Barcelona]
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09/05/2016
06/05/2016
Livros de 2016 [14]: "O último dia de Salvador Allende", por Óscar Soto.
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[última fotografia de Allende, em La Moneda, durante o ataque ao Palácio. Fotografia: Gamma-Keystone via Getty Images]
[última fotografia de Allende, em La Moneda, durante o ataque ao Palácio. Fotografia: Gamma-Keystone via Getty Images]
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04/05/2016
Certamente uma das fotografias do ano
["Woman who defied 300 neo-Nazis at Swedish rally speaks of anger"]
[imagem: David Lagerlöf/Expo/TT News Agency/Press Association Images ]
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27/01/2016
27 de Janeiro: Dia Internacional em Memória do Holocausto e das suas vítimas.
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