03/06/2019
Política & Desporto [iii]
Se todas as formas de comprometimento assumidas no espaço público - incluindo a falta de comprometimento, que é à sua maneira um forma de comprometimento ela mesma... - são políticas, então no contexto específico do desporto aquela que melhor exprime a minha visão do futuro para um Clube - para o meu Clube em particular - é a da defesa do associativismo e da soberania associativa contras as ideias [e práticas] do primado do "negócio" e da "indústria". Uma defesa que se faz com decisões concretas e actos visíveis, palpáveis, sentidos e nunca simulados. Faz-se com palavras com conteúdo, com sentimentos dentro. Palavras como aquelas dirigidas pelo grupo de trabalho do Andebol do Belenenses, após a vitória na Maia, frente ao Águas Santas, na dedicatória do jogo a um associado sempre presente a passar um momento difícil. Faz-se com gestos concretos, como aquele protagonizado pelo plantel principal de Futebol do Belenenses, na Malveira, a favor de um sócio a passar uma fase difícil da sua vida. Faz-se com o carinho espontâneo que se torna evidente no contacto dos craques de azul com aqueles que os seguem para todo o lado, aqueles que gastam a voz, que sacrificam a carteira, a família e o descanso para dar corpo e alma à ideia de um Belenenses consagrado e popular. Este mundo está cheio de craques da bola - jogadores e treinadores - que no momento mais alto das suas carreiras perdem a vergonha e desafiam os poderes da "indústria" com palavras aparentemente incómodas. A verdade é que a "indústria" dorme bem com elas, não as sente como ameaça maior do que um pequeno e episódico beliscão. Coisa diferente será a perspectiva de Clubes com representatividade, nome e história se organizarem para fazer diferente, fora da lógica do primado do negócio. E nesse processo não se envolverem apenas dirigentes e sócios mas também, à sua maneira, os próprios atletas das diferentes modalidades, incluindo do futebol. Isso sim, é política. E política no sentido mais nobre da palavra. Reflexão e acção sobre as causas comuns. O Belenenses vive - pelo menos para já - um processo assim. E é também por isso que, mais uma vez na sua história, o Belém demonstra que não é "apenas" um grande Clube; é também e sobretudo uma certa forma de estar na vida.
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