Ouvia esta manhã a muito aconselhada crónica radiofónica de Rui Cardoso Martins, todas as quartas-feiras pelas 8h35 na Antena1, durante a qual citava a adolescente da moda, Greta Thunberg, que em tirada de antologia terá dito que enquanto tudo à volta arde "os nossos pais debatem o final da Guerra dos Tronos". Eu ouvi e lembrei-me de uma canção antiga, de 1987, à qual os australianos Mignight Oil chamaram "Beds are burning". A canção tem o mesmíssimo sentido da observação de Greta, chamando a atenção à a imensa degradação ambiental a par da ainda maior indiferença que em 1987 - como de resto hoje... - se sentia [1]. De resto os Midnight Oil não foram os primeiros a dizê-lo nem depois de 1987 houve um hiato de quase 30 anos sem que ninguém viesse a terreiro avisar que a banda do Titanic continua a tocar enquanto todos os anos desaparecem milhares de espécies animais e vegetais, milhões de hectares de floresta são destruídos, centenas de rios são dizimados, milhões de seres humanos são ameaçados pelos efeitos directos e indirectos da devastação que o sistema de engorda de poucos impõe a uma imensa maioria apática. E eu, que até sou fã de Greta, fico a pensar se independentemente das suas intenções e do valor do seu exemplo e mensagem, a jovem Thunberg não foi já transformada em santa de altar do ecologismo da moda, colorido e new-age, fundamentalmente inconsequente e indolor para os detentores dos comandos do mundo; aquela ecologia que recusa sacos de plástico no supermercado mas não está disposta a lutar por alterações profundas e radicais [no sentido em que atacam a raiz dos problemas] que passam inevitavelmente pela superação [revolucionária] do capitalismo.
[1] "How can we dance when our earth is turning? / How do we sleep while our beds are burning?".
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