12/08/2016

A natureza mercantil da solidariedade de circunstância.

É assim todos os Verões: o país arde, os bombeiros socorrem as populações, o povo apercebe-se da desproporção entre a violência dos incêndios e a falta de meios existentes para o seu combate, e as grandes e médias empresas lançam o arpão da solidariedade de circunstância, segmento da política de marketing que faz chegar o seu nome a todos os lares e cantos de Portugal sem os custos pornográficos de uns quantos segundos comprados antes de uma transmissão televisiva de um jogo de futebol internacional. Trata-se de solidariedade interesseira, e por isso mesmo pouco ou nada solidária.

Acontece que o capitalismo tem isto no seu "adn": a tendência para tudo coisificar, mercantilizar, quantificar sob a forma de custos e proveitos. E numa sociedade em que a semiótica do capital se parece ter imposto de forma dominante, colocando as pessoas comuns a falar a mesma novilíngua que é a sua, o povo encara com inocência e respeito aquilo que não lhe deveria merecer senão sentido crítico e questionamento.

Querem as grandes corporações nacionais ajudar na prevenção e combate aos incêndios? Transfiram as suas sedes fiscais para território nacional. Tudo o resto é folclore que não se distingue no essencial de "piquenicões" e afins.

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