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19/06/2019

Temos futuro.

Os sócios e adeptos do Clube de Futebol "Os Belenenses" tomaram ontem conhecimento, durante a  Assembleia Geral [AG] de Sócios realizada no Pavilhão Acácio Rosa, da aprovação do projecto de requalificação da primeira parcela do Complexo que, de acordo com o "PIP", poderá ser rentabilizada pelo Clube através da contratualização de direito de superfície com promotores de projectos de natureza diversa. No caso da parcela em causa o projecto agora aprovado destina-se à construção de uma área comercial que incluirá um supermercado Lidl. Trata-se de uma notícia desde há muito ansiada pelos belenenses por se encontrar este processo directamente ligado à saúde financeira do Clube e a projectos de modernização futura, que passam também - naturalmente - pela requalificação dos espaços directamente vocacionados para a prática desportiva das várias modalidades do Belém, incluindo naturalmente o futebol. O Complexo Desportivo do Restelo tem-se degradado ao longo de décadas e todos aqueles que todos os dias vivem os problemas ligados aos constrangimentos de espaços no Restelo anseiam por passos em frente na modernização do Pavilhão e do Estádio, pela eventual reconstrução das Piscinas e pela remodelação - ou construção de raiz - de unidades de apoio ao trabalho das secções desportivas, capazes de dar às nossas equipas condições de trabalho próximas àquelas de que gozam os nossos rivais históricos. Hoje, modalidades como o Basquetebol e o Voleibol - que não são reconhecidamente prioritárias na política de investimentos da actual direcção do Clube - têm nos espaços [ou na falta deles] o principal problema ao desenvolvimento do talento que inegavelmente existe no Belenenses. Sublinho: mais do que dinheiro é de mais espaços para treino e competição que precisamos. O pontapé de saída na efectiva concretização da requalificação do Complexo terá certamente em conta essa necessidade premente, que além do mais representa custos avultados para as diferentes secções por via de alugueres de uma dezena de pavilhões fora do Restelo. Associada ao tema do projecto do Lidl surge também a questão da participação ainda existente do Clube de Futebol "Os Belenenses" na sociedade anónima desportiva que se separou do Clube no verão passado. Segundo o Presidente da Direcção do Clube "chegou o momento de vender os 10%" do capital social daquela sociedade, iniciativa que de resto já foi validada pelos sócios em anterior AG e que significará o corte final e definitivo com a realidade institucional do clube entretanto constituído em torno da empresa "Codecity", e que hoje conta não apenas com uma equipa profissional de futebol mas também com vários escalões de formação de futebol juvenil. Tratou-se pois de uma AG relevante, que debateu e apreciou assuntos de enorme relevância para o futuro do Belenenses associativo, consagrado e popular. Temos futuro.

17/06/2019

Nunca mais começa a temporada 2019/2020... Venha ela!

Pouco tenho a acrescentar ao que desde o final da tarde de sábado se foi dizendo, escrevendo, gritando, sentido e partilhando acerca da temporada 2018/2019 do futebol no Belenenses. De resto sou incapaz de viver o Clube de forma parcial, para mim o Belenenses é um só, do futebol à natação, passando por todas as restantes modalidades e considerados todos os escalões do Clube. E na verdade foi um ano em cheio. Como dirigente do basquetebol, colaborador do clube na área da comunicação e sócio que procura estar presente em todas as circunstâncias acho que "dei o litro", muitas e muitas vezes com profundo prejuízo para a minha família, e nesse sentido sinto-me de consciência associativa totalmente limpa. Posso dizer que na época que termina fiz de tudo. Viver o Clube por dentro, em tarefas "de sapa" não raras vezes invisíveis mas sem as quais não há Belenenses, é profundamente enriquecedor, ainda que esgotante. Por outro lado, num Belenenses associativo, dos sócios e para os sócios, cabe-nos sacrificar tempo e bem estar pessoal em prol do projecto comum. Foi assim desde 1919. Será assim no futuro, sejam quais forem os nomes e as caras que carregam as águas, fazem os lanches, conduzem as carrinhas, levam atletas ao hospital e depois os acompanham para que nunca se sintam sozinhos nos momentos mais difíceis. Custa mas compensa. Aliás, aquela tarde de sábado foi - no que ao Belenenses diz respeito - uma das mais felizes da minha vida. Já ninguém a tira a todos aqueles que lá estiveram, ou a quantos estiveram no Restelo e nos muitos campo da "distrital" que visitámos nesta longa caminhada. Perdoem-me se falo tanto de mim... é a minha experiência e a minha vivência que conheço, não falo pelos outros. É também esse um dos méritos deste Belenenses libertado de amarras: cada um tem a sua voz, e cada voz conta. Nunca mais começa a temporada 2019/2020... Venha ela!

06/06/2019

Interrogação [na ressaca do Portugal x Suiça]

Existe uma dimensão religiosa na vivência do fenómeno desportivo que se expressa na prática de diversas formas, incluindo na higienização dos ídolos, face reversa da outra mais comercial, que passa pela sua transformação primeiro em marca e depois em mercadoria destinada ao ciclo de promoção, compra, venda e/ou troca. Para as grandes massas, os ídolos são seres relativamente aos quais não se imaginam pecados, ou cujos pecados - quando conhecidos - são grosseiramente ignorados, por se considerem de valor inferior ao ganho - material e imaterial - que o ídolo em acção proporciona à comunidade como um todo e a cada um dos seus membros em particular. Ronaldo, por exemplo, é hoje tema de conversa um pouco por todo o país e, claro está, pelo mundo fora. Os três golos com que despachou a Suiça na meia-final da presente edição da Liga das Nações são bem a prova da qualidade do jogador, depois catapultada pela já referida dimensão religiosa na vivência do fenómeno desportivo para uma dimensão supra-desportiva que é, quanto a mim, inteiramente questionável. Nem sempre um jogador de excelência é uma pessoa cuja conduta fora de campo merece semelhante admiração. Na verdade - e isto não se aplica apenas a jogadores de futebol - o ser humano é por natureza um poço de contradições e conflitos que se agudizam quando a vida lhe proporciona os meios para lhes dar maior dimensão. Como aconteceu a Ronaldo. É que o homem que ontem subiu - uma vez mais - aos píncaros do mérito desportivo, para gáudio - natural e justificado - daqueles que vibram com a selecção portuguesa de futebol sénior masculina é o mesmo ser que se encontra desde o início de 2019 condenado a 23 meses de cadeia [depois substituídos por uma multa de 360.000,00€] mais uma multa de 18.800.000,00€ [perto de 19 milhões de euros] por fraude fiscal. E isto não sou capaz de ignorar, quer na minha visão sobre quem é Cristiano Ronaldo no quadro da psicologia colectiva deste povo, quer na forma como interpreto a absolvição colectiva que lhe atribuímos enquanto condenamos - moralmente - qualquer pobre apanhado em delito cujo grau de gravidade é infinitamente menor. Pode um povo sem paciência para os miseráveis que acusa de "viverem do Estado" curvar-se perante quem, independentemente de méritos desportivos, pratica contra o Estado e os seus recursos "fraude fiscal" envolvendo valores astronómicos para o bolso da esmagadora maioria?

03/06/2019

Política & Desporto [iii]

Se todas as formas de comprometimento assumidas no espaço público - incluindo a falta de comprometimento, que é à sua maneira um forma de comprometimento ela mesma... - são políticas, então no contexto específico do desporto aquela que melhor exprime a minha visão do futuro para um Clube - para o meu Clube em particular - é a da defesa do associativismo e da soberania associativa contras as ideias [e práticas] do primado do "negócio" e da "indústria". Uma defesa que se faz com decisões concretas e actos visíveis, palpáveis, sentidos e nunca simulados. Faz-se com palavras com conteúdo, com sentimentos dentro. Palavras como aquelas dirigidas pelo grupo de trabalho do Andebol do Belenenses, após a vitória na Maia, frente ao Águas Santas, na dedicatória do jogo a um associado sempre presente a passar um momento difícil. Faz-se com gestos concretos, como aquele protagonizado pelo plantel principal de Futebol do Belenenses, na Malveira, a favor de um sócio a passar uma fase difícil da sua vida. Faz-se com o carinho espontâneo que se torna evidente no contacto dos craques de azul com aqueles que os seguem para todo o lado, aqueles que gastam a voz, que sacrificam a carteira, a família e o descanso para dar corpo e alma à ideia de um Belenenses consagrado e popular. Este mundo está cheio de craques da bola - jogadores e treinadores - que no momento mais alto das suas carreiras perdem a vergonha e desafiam os poderes da "indústria" com palavras aparentemente incómodas. A verdade é que a "indústria" dorme bem com elas, não as sente como ameaça maior do que um pequeno e episódico beliscão. Coisa diferente será a perspectiva de Clubes com representatividade, nome e história se organizarem para fazer diferente, fora da lógica do primado do negócio. E nesse processo não se envolverem apenas dirigentes e sócios mas também, à sua maneira, os próprios atletas das diferentes modalidades, incluindo do futebol. Isso sim, é política. E política no sentido mais nobre da palavra. Reflexão e acção sobre as causas comuns. O Belenenses vive - pelo menos para já - um processo assim. E é também por isso que, mais uma vez na sua história, o Belém demonstra que não é "apenas" um grande Clube; é também e sobretudo uma certa forma de estar na vida.


23/05/2019

Política & Desporto [ii]

Num contexto interno e externo marcado por uma clara depreciação da política, não raras vezes confundida com o aspecto particular do "partidarismo", a mobilização das pessoas para as causas comuns faz-se com custo e não raras vezes sem sucesso, independentemente da justeza da causa e da urgência do motivo. Por outro lado, mobilização em torno de um tema genérico - de que a questão das alterações climáticas é eventualmente o exemplo mais actual - não significa de forma alguma alinhamento de ideias, posturas e motivações em torno das soluções. Esta contradição é frequentemente geradora de frustrações por um lado e efectivo imobilismo por outro. É também assim no contexto específico do desporto em geral e do desporto-profissional industrializado em particular. A transformação dos atletas em produtos de consumo e a transmutação equipas em "marcas", representando já não ideais associativos mas slogans comerciais, são aspectos hoje percepcionados por alguns como verdadeiros cancros alojados no corpo aparentemente saudável do desporto de alta competição, transpirando depois no sentido descendente da pirâmide etária e competitiva. E isto é ideológico e intrinsecamente político. Da mesma forma que são temas ideológicos e fortemente politizados a questão dos preços dos bilhetes para os jogos [para os "espectáculos desportivos"], a hiper-valorização das peças de "merchandising" [que é como quem diz, a mercantilização dos símbolos associativos], o afastamento dos adeptos dos centros de decisão associativa por via da constituição de estruturas aparentemente controladas pelos clubes mas que já não se encontram na esfera da soberania associativa, a substituição dos meios de financiamento directos [a quotização associativa, desde logo] por fontes de receitas que deixam os antigos clubes-associações nas mãos de televisões, bancos, fundos e outros poços sem fundo, o afastamento dos clubes-associações face às comunidades que são a sua primitiva e primordial razão de ser. É nesse contexto que declarações aqui e ali produzidas por gente que vive do e para o sistema parecem [aparentam] ser formas de sabotagem do poder ilimitado dos actuais donos do jogo [dos jogos].

[continua]

22/05/2019

Política & Desporto [i]

Existe uma inequívoca dimensão política no desporto, manifesta implícita ou explicitamente na forma como este se organiza e afecta dimensões várias da vida das comunidades, como é percebido e vivenciado por praticantes - profissionais ou amadores -, treinadores, dirigentes e outros elementos de estrutura, adeptos e, nos países onde o desporto assenta em clubes-associações, pelos associados de cada um dos emblemas envolvidos. Não é possível desligar a política do desporto da mesma forma que, independentemente de tentativas para o concretizar, não é possível retirar conteúdo político às artes plásticas, à literatura, ao cinema ou ao teatro. O desporto é, à sua maneira, uma expressão da criatividade humana, e esta é naturalmente influenciada por ideias, perspectivas e análises ideológicas sobre a comunidade, o mundo e o papel do indivíduo e do colectivo em cada um destes contextos. Quem não o compreende revela desatenção crónica ou manifesta incompetência para olhar o desporto no seu enquadramento social, económico, político, cultural e até ambiental. De resto as manifestações políticas dentro dos recintos e nas competições desportivas não são expressões artificiais e desligadas do desporto em si mesmo. A história do movimento olímpico moderno, por exemplo, encontra-se repleta de acontecimentos políticos e afirmações ideológicas não raras vezes manifestadas por atletas. No futebol essa tendência para a politização do jogo é ainda mais evidente e constante, remontando às suas origens mais bairristas e/ou de classe. Que se desengane quem julgar que o casamento entre desporto e política, ou mais concretamente entre futebol e política, é uma realidade própria de ditaduras ou um casamento de conveniência entre dirigentes desportivos e decisores políticos. As manifestações políticas no desporto em geral e no futebol em particular têm sobretudo expressão e relevância precisamente nos aspectos do jogo que fogem ao controlo das cúpulas dirigentes [dirigentes desportivos e políticos]: das Assembleias Gerais de sócios aos panos caseiros que surgem nas bancadas exprimindo sentimentos de apoio ou oposição a aspectos "políticos" do jogo [empresarialização/privatização do desporto, preços dos bilhetes, horários dos jogos determinados por interesses publicitários, etc...] ou a aspectos que o transcendem em absoluto [do pedaço de bancada no Estádio Nacional do Chile reservada à memória dos torturados e assassinados no golpe de 1973 às bandeiras irlandesas, bascas ou palestinianas nas bancadas do Celtic Park de Glasgow]. Surgem igualmente no discurso de protagonistas do jogo - jogadores e treinadores - que de tempos a tempos lembram a vida para lá do estádio, assumindo sobretudo o mérito de lembrar aos adeptos da bancada que não deixam de ser cidadãos, trabalhadores, desempregados, gente que sofre a exploração e/ou discriminações várias quando entram pelos portões dos vários "teatros dos sonhos".

[continua]

20/05/2019

[sem título]

A minha ruptura com o desporto-indústria, aquele que usa a competição desportiva como pretexto para a acumulação e concentração do dinheiro de todos nas mãos de meia-dúzia, é total e definitiva. Não creio aliás que seja possível olhar o mundo de uma forma e um aspecto particular da vida em sociedade de outra, em confronto directo com a primeira. Não sou comunista só até à porta do estádio, sou comunista em todo o lado. E isto significa ser incapaz de dar o meu aval à mercantilização do jogo [que hoje é mero produto televisivo], à exploração das emoções alheias, à coisificação dos profissionais [na qual muitos dos próprios, sem consciência de classe, participação de forma voluntária] e à estupidificação do contexto. Não sei se, chegados a este ponto, haverá forma de estar no topo sem vender a alma ao diabo, que é como quem diz sem ser na verdade uma dependência desportiva dos interesses de bancos, televisões, empresários sem escrúpulos, off-shores desconhecidos e outros grupos poderosos sobre os quais nada ouvimos dizer. E essa é de facto uma circunstância que deve dar que pensar - e que actuar - a todos aqueles que acreditam noutra forma de estar no desporto e sobretudo na vida, que o desporto é parte integrante desta, não existe separado do contexto maior e das relações sociais, económicas, políticas e culturais que o definem. Será possível fazer diferente e, mesmo assim, chegar lá a cima para desafiar o poder dos que hoje verdadeiramente mandam na "indústria" da bola? Duvido muito, mas cá estarei para ver e, mais do que isso, para me associar ao esforço para que assim seja.

post-scriptum.: derrota justíssima do Belenenses ontem em Porto Salvo; este ano não parecem existir resultados injustos, talvez com a excepção do jogo na Amadora, que não foi bem um jogo; Coutada, Torre e agora Porto Salvo não foram, não são e não serão melhores equipas que a do Belenenses; são muito piores; mas cada jogo é um jogo e nos jogos em questão mereceram vencer, cada uma à sua maneira; ser grande é também saber perder [não confundir com "conformar-se com as derrotas"]; saibamos perder e sobretudo aprender com cada pequeno, médio ou grande insucesso.

09/05/2019

Uma final "100% inglesa"?

Não sou fã do futebol negócio e por isso não acompanho com a atenção e o entusiasmo revelado por muitos as aventuras e as desventuras das empresas participantes na competição-negócio "Liga dos Campeões". Como não vivo na bolha acabo todavia por ouvir, ler e conversar sobre o tema e sei que na edição deste ano a final será disputada entre o Liverpool FC e o Tottenham Hotspur FC, emblemas ingleses que, de acordo com a imprensa "mainstream", asseguram uma final "100% inglesa". Certo? A resposta não é de sim ou não, depende da perspectiva. Sim, Liverpool e Tottenham são "clubes" ingleses. Mas todas as outras análises desmentem a tese da final inglesa. Senão vejamos: o Tottenham é hoje propriedade de uma empresa sediada nas Bahamas [o Tavistock Group], o seu treinador é argentino e boa parte da sua equipa é constituída por jogadores não ingleses; o outro finalista, o Liverpool, é hoje detido por um empresário norte-americano, através de uma empresa também ela norte-americana, é treinado por um alemão e boa parte da sua equipa é constituída por jogadores não ingleses. É verdade que ambos os emblemas têm sede e estádio em Inglaterra; e é sobretudo verdade que a sua alma - que são os seus adeptos - e o seu coração - as respectivas cidades - moram em Inglaterra. Mas se o dinheiro não tem nacionalidade não é menos verdade que os maiores clubes-empresa do velho continente abdicaram desde há muito da antiga ideia do emblema como expressão desportiva da alma do seu lugar de nascimento. No final do século XIX os estádios ingleses enchiam-se de público que gritava alto e bom som pelos rapazes da terra. Hoje esses tempos já não são apenas uma miragem; são um género de recordação exótica sem relação com qualquer ideia viável de sucesso desportivo nos patamares mais elevados da "indústria do futebol". Também aqui se aplica a célebre Lei de Conservação das Massas de Lavoisier: "nada se cria e nada se perde, tudo se transforma". Nenhuma final é 100% de nacionalidade nenhuma, e isso só pode ser coisa boa. Ainda que em boa parte seja simultaneamente a consequência de alguns dos mais absurdos e abjectos aspectos do futebol moderno.

29/04/2019

Bielsa, ou o primado dos valores

"Não demos um golo, devolvemos um golo"
Marcelo Bielsa

Do futebol profissional se diz muita coisa, com e sem razão. Diz-se que é um meio apodrecido pelo negócio, e eu concordo. Diz-se que é um tabuleiro por onde circulam trapaceiros da pior espécie, e é impossível negá-lo. Diz-se que o jogo do povo se encontra moribundo, que os valores [do amor à camisola à honestidade acima dos resultados] morreu, e eu tenho que dizer "olhe que não, olhe que não...". É certo que o futebol se encontra hoje minado e dominado pela filha-da-putice mais abjecta, mas quem se der ao trabalho de desligar a televisão e de dedicar um mínimo de atenção ao jogo para lá da barulheira vai dar-se conta de que valores antagónicos àqueles que dominam "a indústria" não apenas existem como se afirmam junto de um universo de adeptos cada vez mais alargado e desperto para a necessidade de regenerar o jogo - em sentido lato - num regresso às origens que lateraliza a componente económica [salvaguardando a sustentabilidade dos clubes e do jogo, mas rasgando de alto a baixo a especulação, a mercantilização de emblemas, jogadores e treinadores, e o negócio das apostas] e se foca naquilo que é verdadeiramente a alma do futebol. O exemplo que este fim-de-semana chegou de Inglaterra será um dos mais importantes contributos de um treinador e da sua equipa - do seu Clube também, partindo do princípio que o Leeds não punirá a decisão tomada... - para a afirmação do primado dos valores sobre o resultadismo e as receitas que a este se encontram directamente ligadas. Marcelo Bielsa mostrou uma vez mais que há princípios, valores e posturas que não se trocam nem vendem por dinheiro nem resultado nenhum. Fê-lo num contexto de milhões, numa "2ª liga" que compara sem dificuldade com os melhores campeonatos da Europa continental. Fê-lo em defesa do jogo e da preservação da sua pureza original. Sai um agradecimento, sincero e profundo, de Lisboa para Leeds. Que a promoção seja alcançada pela via da honra e dos valores.

01/03/2019

A coisificação dos atletas

A coisificação dos atletas é um dos preços a pagar pela mercantilização do desporto. No desporto negócio os atletas são, muito mais do que assalariados dependentes da prática eficaz e reconhecida, bem transaccionáveis e mercadorias com valor de mercado precário e mais ou menos efémero. Esta circunstância condiciona fortemente a percepção que os adeptos - os fãs - têm sobre a sua dimensão atlética e, para além desta, sobre a sua realidade de homem/mulher para lá da prática desportiva mediaticamente enquadrada.

O atleta de alta-competição é hoje um género de personagem numa narrativa construída em torno de si e que não raras vezes tem pouca relação directa com a verdade da sua vida quotidiana; esta contradição é explorada com sucesso no documentário "The hurt business" [2016] de Vlad Yudin, uma reflexão sobre a realidade do "MMA" antes de Connor McGregor [o filme não o refere de todo...] e do negócio de milhares de milhões construído em torno dos novos gladiadores do século XXI.

O adepto do MMA raramente parece concentrar a sua atenção e interesse na dimensão técnica e atlética dos combates e o negócio percebe e explora esta fragilidade da relação desporto-fã com grande sucesso. É precisamente o surgimento em massa de um fã fundamentalmente ignorante relativamente à dimensão técnica da modalidade que força o negócio - os promotores - a introduzirem no contexto específico do MMA todo o conjunto de eventos paralelos aos combates que conduzem à desumanização e desqualificação do atleta perante os olhos do mundo. Refiro-me por exemplo às conferências de imprensa simultâneas de adversários, marcadas quase sempre por um nível de desrespeito [efectivo ou simulado] e provocação sem paralelo noutros contextos desportivos.

O filme é interessante, vale bem a pena procurá-lo.


[imagem]

21/08/2016

Rio2016

[texto originalmente publicado no Manifesto74, a 19.08.2016]

Tenho grande dificuldade em reflectir de forma racional sobre os JO. Por razões de natureza pessoal, que não vou detalhar neste espaço, e por razões ideológicas, que afastam a minha visão dos Jogos daquela que é dominante no conjunto não apenas da sociedade portuguesa mas também, temo bem, por esse mundo fora.

Cresci a ver os Jogos, a treinar ao lado de atletas olímpicos, a ambicionar participar nos Jogos e a beber tudo aquilo que, há vinte anos, a televisão, os jornais e as revistas davam a conhecer sobre o mais importante evento desportivo-competitivo do calendário da maior parte das modalidades que foram até há alguns anos atrás predominantemente amadoras.

E porque vivi por dentro, de certa forma, a obsessão olímpica sinto-me sempre bastante dividido na hora de olhar os vários Jogos que existem dentro dos Jogos. Tenho uma opinião sobre os JO enquanto evento, hoje totalmente desligado do chamado "espírito olímpico", e outra bem diferente sobre a generalidade dos torneios olímpicos, que são a essência daquilo que resta do movimento olímpico acarinhado por atletas, treinadores e comunidades desportivas nacionais.

Os JO de Verão 2016 estão a terminar - seguem-se os Paralímpicos (ou Paraolímpicos) - e neste momento já é possível perceber que a missão olímpica portuguesa obteve resultados magníficos, traduzidos através não apenas de uma medalha e vários diplomas olímpicos mas também - e na minha modesta opinião, sobretudo - da diversificação das representações olímpicas nacionais em modalidades e disciplinas fundamentalmente individuais. Da missão olímpica portuguesa fizeram (fazem) parte atletas distribuídos por modalidades relativamente às quais a generalidade dos portugueses desconhece em absoluto a realidade competitiva nacional. Quantos de nós conhecem verdadeiramente o que se passa em Portugal ao nível do Badminton, da Ginástica Desportiva, da Canoagem ou do Hipismo? O meu maior contentamento é ver uma representação olímpica portuguesa envolvida em vários torneios e, dentro destes, em diversas provas, especialidades e distâncias.

Portugal não tem uma tradição relevante de prática desportiva não federada. O nosso número de atletas federado é - sejamos honestos - ridículo e mal distribuído por modalidades e federações. O reduzido campo de recrutamento dos clubes e federações conduz aliás à disputa de atletas, realidade que ilustra bem as fracas possibilidades que o desporto nacional ainda vai alimentando relativamente à possibilidade de disputar de forma continuada resultados mediaticamente relevantes nas provas para as quais todos os olhos se voltam de tantos em tantos anos: Europeus, Mundiais e, naturalmente, Jogos Olímpicos.

Por outro lado as condições financeiras e materiais ao dispor dos atletas federados são na generalidade das modalidades risíveis, quando comparadas com aquelas existentes nos países que lideram os chamados "medalheiros" olímpicos. Um bom exemplo desta realidade diz respeito à natação, modalidade muito mediatizada no panorama olímpico, mas que em Portugal conheceu até há poucos anos atrás um atraso ao nível das infraestruturas que deveria envergonhar um país que cobra constantemente resultados para os quais pouco ou nada contribui ao longo dos anos de preparação de cada ciclo olímpico.

Nada do que escrevo é novo nem original. Aliás, houve quem a partir do Rio de Janeiro o lembrasse através das câmaras da RTP: "querem resultados? dêem-nos condições!". Não são tretas, desculpas de mau pagador, queixumes sem fundo de verdade; pelo contrário: os atletas nacionais registam de forma geral desempenhos comparados muito superior às condições (também comparadas) de que dispõem. Acontece que temos uma tendência natural para nos colocarmos num plano de desenvolvimento geral e de capacidade desportiva que não encontra correspondência com as realidades de um e outro indicador. E grandes expectativas geram não raras vezes brutais trambolhões.

O país coloca-se às costas de anónimos trazidos para a ribalta mediática durante quinze dias, e perante resultados que não compreende solta a sua boçalidade de algibeira em cima daqueles que tudo deram - e de que tudo se privaram... - nas respectivas competições. Portugal ganha, fulano ou fulana perde, "falha a final", "desilude" quem se iludiu com base em consultas apressadas de notícias descontextualizadas, pesquisas no Google, vídeos no Youtube. Depois a coisa passa para a generalidade de nós, ausentes do ciclo olímpico entretanto iniciado, mas não passa para atletas cujo impacto físico, social, psicológico e por vezes financeiro da sua entrega à competição é muitas vezes um verdadeiro triturador de vidas.

Os Jogos do Rio foram uma notável demonstração da vitalidade do desporto nacional, contra todas as expectativas, contra todas as barreiras, obstáculos e deficiência de condições. Não me resta, relativamente à representação olímpica nacional, nada que não seja gratidão e orgulho. Estão de parabéns os atletas, os seus clubes, treinadores, dirigentes (quase todos amadores, quase todos sacrificando a sua vida pessoal por amor ao desporto) e, de certa forma, Abril, o momento em que a democracia chegou também ao desporto.

Seja como for não tenho - nunca tive - a obsessão do medalheiro, esse entretém mediático que desfigura o olimpismo, e que arrasta tanta gente para reflexões apressadas, injustas, descontextualizadas e ultra-competitivas acerca de um evento que deveria ter no ouro, na prata e no bronze um pormenor e nunca a sua essência fundamental.

09/08/2016

A obsessão do medalheiro.

Não há obsessão olímpica menos saudável do que aquela que se refere às medalhas. Aliás, não há obsessão desportiva mais doentia do que aquela que tudo esgota nos resultados. É a obsessão do medalheiro, a concentração de tudo no resultado, que explica toda a sorte de esquemas legais e ilegais para obter vantagem sobre os adversários, do doping aos fatos especiais, passando pelos meses de sono em câmaras hiperbáricas. É também ela que explica a maior propensão de atletas de alta competição para perturbações psíquicas leves ou severas, que vão da depressão crónica ao pensamento obsessivo ligado com comportamentos compulsivos.

"Outras medalhas". Tommie Smith (EUA), México, 1968.

As características do panorama competitivo dos Jogos Olímpicos (JO) tem sofrido algumas alterações importantes ao longo das décadas. Uma dessas alterações diz respeito à diminuição abrupta da idade média de atletas (sobretudo nas competições femininas), que atingem agora o auge da sua forma física aos 14, 15 ou 16 anos de idade. Não me refiro apenas à(s) ginástica(s) já que por exemplo na natação se verifica semelhante tendência. Tenho para mim, com base na observação atenta do fenómeno e (numa escala infinitamente mais modesta) na minha própria experiência competitiva, que quem prepara meninas de 14 anos para se baterem pelo ouro olímpico não avalia correctamente as consequências duradouras do pós-glória, ou do pós-"fracasso".

A exigência pública e mediática relativamente a "resultados" (e resultado digno de existência mediática duradoura nunca será um recorde pessoal ou nacional...) exerce sobre os atletas níveis de pressão desumanos. Esta exigência é de resto totalmente desproporcional à atenção dispensada à esmagadora maioria das modalidades olímpicas entre o dia seguinte ao final dos Jogos e o dia da cerimónia de abertura dos Jogos seguintes...

É precisamente por isso que a resposta de Telma Monteiro à questão de um jornalista português sobre a importância da sua medalha me parece de um valor pedagógico sem igual; foi mais ou menos assim: "são não tivesse ganho a medalha o sol continuaria a brilhar lá fora mas eu não estaria tão feliz". Lutar pela vitória pode ser uma motivação (é totalmente legítimo que o seja), mas as medalhas são apenas uma parte - pequena na realidade mas dominantes na irrealidade mediática - daquilo que ainda sobrevive do chamado espírito olímpico.

De resto os JO são, muito mais do que um momento de igualdade entre nações, o espelho da desigualdade estrutural que as divide. É isso que por exemplo justifica o facto de ter o desporto mundial esperado mais de 100 anos para ver a primeira olimpíada disputada fora do grupo dos países mais desenvolvidos (ou economicamente mais fortes) deste mundo (as excepções são as olímpiadas da Cidade do México, em 1968, e de certa forma Pequim, em 2008).

Concentrar atenções no "medalheiro" é alimentar a visão elitista dos JO em dois sentidos: o colectivo (de países contra países) e o individual (de super-atletas contra comuns mortais).

05/07/2016

"ganhar"

Tenho ouvido nos noticiários que vou apanhando nas rádios e televisões que a visão (o "mindset", como agora se diz) imperante no seio da selecção nacional de futebol, dos jornalistas que a acompanham e, de acordo com muitos, da generalidade dos portugueses que acompanham o Euro2016 coloca a vitória (desportiva e financeira) acima de todos os restantes valores em "jogo" durante a participação da equipa nacional na competição desportiva que se aproxima do fim.

O Euro2016 é apenas uma competição desportiva e, ao mesmo tempo, será muito mais do que isso. Da mesma forma, a equipa nacional de futebol é apenas uma equipa desportiva mas, simultaneamente, actua num contexto mediático e emocional que a catapulta para uma posição simbólica de outra dimensão. É precisamente por isso que a afirmação - constante, repetida, martelada até se entranhar no seio da egrégora - não é apenas errado: é profundamente perigoso, incluindo para aqueles que promovem o discurso do "ganhar" acima de tudo.

Dizem os entendidos que a equipa portuguesa joga pouco. É também à luz desta avaliação qualitativa do jogo que se deve compreender o discurso do "ganhar"; na verdade, passar fases no Euro2016 tem sido a única coisa que a equipa nacional tem oferecido aos adeptos. Por outro lado, se ganhar é tudo o que interessa, Portugal (a sua equipa nacional de futebol) arrisca-se a sair do Euro2016 sem ganhar um único jogo dentro do chamado "tempo regulamentar". Se por exemplo no jogo de amanhã, com o País de Gales, a equipa nacional perder... sairá do Euro2016 sem o seu objectivo único alcançado. Ter disputado a meia-final da competição (ou seja, estar formalmente entre as quatro melhores equipas da Europa) será, nesse contexto, igual a não ter passado sequer da fase de grupos. A vitória é total ou não será vitória alguma.

A visão da vitória como objectivo último e por vezes único da actividade desportiva competitiva tem-se afirmado de forma esmagadora. Esta forma de estar no desporto, que na minha perspectiva é doentia, relaciona-se evidentemente com todas as formas de aldrabice que neste momento corroem a credibilidade das competições e o mérito dos atletas e equipas. Bicicletas com motores incorporados na Volta à França, golos intencionalmente obtidos de forma ilegal, tentativas conscientes de ludibriar os árbitros, uso e abuso de substâncias dopantes em alguns círculos competitivos, limitação da vida dos atletas de alta competição que colocam a sua performance desportiva acima da sua felicidade pessoal, aplicação dos mesmos princípios à vida e à relação com os outros. Ganhar, ganhar, ganhar. Muito triste, digo eu.

No reverso da medalha, no seu lado mais brilhante, encontra-se a visão que considero mais saudável do fenómeno desportivo: o desporto competitivo como fonte de realização pessoal e colectiva, que tem na honra e no fairplay os seus valores mais relevantes. Na Islândia parecem compreender perfeitamente o significado dos dois conceitos e é por isso que, depois da goleada frente à França, a equipa nacional foi recebida com a mesma dignidade com que se comportou durante o Campeonato da Europa de 2016. Valores mais altos se levantaram e na Islândia a derrota não transforma os bestiais em bestas em menos de nada. Não foram bestiais, nem são bestas: são atletas que viram na competição desportiva um espaço de superação e de realização que é, de certa forma, independente do resultado no placard no final de cada partida.

Parabéns, Islandeses. A vossa maior vitória foi aquela à qual dificilmente poderemos aspirar.

01/07/2016

Mais apaixonado pela bola do que pela perspectiva de um Lamborghini novo.

O que é absolutamente fabuloso no Renato Sanches não é tanto a sua majestade no jogo, que ainda não tem. Faz algumas coisas muito bem mas creio que ainda faz outras menos bem. Tem 18 anos, não se poderia esperar muito mais do muito que já dá. O que impressiona é aquele cheiro a futebol de rua, aquela alegria que tanto acontece em Marselha como num ringue com chão de cimento lá do bairro. Se o Euro2016 é o "futebol moderno" de A a Z, o Renato Sanches é resistência pura ao jogo encenado. A estética do miúdo é outra. Há verdade naquele jogo, sorriso quando perde uma bola (porque percebeu que foi papado pelo adversário), gozo verdadeiro na finta, coração e amor ao jogo. Não sei se será "o melhor do Euro2016", mas é certamente o maior. Tornei-me fã.

15/06/2016

I'm a collector, I collect anything I find / I never throw anything away that's mine

"O nosso dia-a-dia consiste de padrões de conduta que nos mantêm intactos. O meu lugar numa sociedade civilizada, o meu lugar enquanto cidadão, deriva de um arranjo de acordos e rotinas. O meu dia-a-dia encontra-se fortemente padrozinado: acordo, mijo, como, (...). Tenho uma casa, um abrigo. Deixo-a de manhã e regresso ao fim da tarde: e ali está o meu abrigo, um dado material que não se limita a proporcionar-me tranquilidade; o facto de ser um espaço familiar reforça o meu eu. (...) Sou um coleccionador, um coleccionador básico e não um coleccionador refinado: as minhas fotografias, as minhas roupas, os meus móveis (dispostos de uma determinado maneira), a minha biblioteca (organizada de uma determinada maneira), os meus amigos e os meus entes queridos (organizados de uma determinada maneira), a ideia que tenho da minha vida, de uma vida que se foi tornando amena e confortável devido a hábitos regulares, os meus jornais, o meu trabalho, a ideia que tenho de mim. Rodeio-me de coisas, apoio-me em adereços, encho o meu espaço de coisas: personalizo o meu espaço; torno-o íntimo; torno-o meu."

"Entre os vândalos: o futebol e a violência", de Bill Buford

14/06/2016

patriotismos

Que importa se os orçamentos aprovados pela Assembleia da República são forçados a visto prévio pelos burocratas de Bruxelas? Diz que o Quaresma tem uma mialgia na coxa. Que interesse que a Comissão Europeia, organismo dirigente da "Comunidade" que ninguém elegeu, possa impedir o Estado português de financiar as suas próprias empresas? Hoje aposto em num 4-4-2 demolidor, que vai mostrar aos islandeses que podem meter corruptos na cadeia, mas dentro das quatro linhas quem manda somos nós. Não me interpretem mal: eu hoje vou ver o Portugal-Islândia e, sem grande ansiedade, até gostava que a selecção nacional de futebol sénior (não confundir com "Portugal") ganhasse. O que me deixa meio confuso é esta explosão patriótica do dia, quando colocada a par do desprezo que merecem assuntos como o poder que organizações supranacionais não eleitas - com a Comissão Europeia do senhor esquentador - têm para causar dano real, duradoura e de certa forma consentido a Portugal sem aspas. Quando penso no patriotismo futebolístico, desligado de outras formas de patriotismo bem mais relevantes, lembro-me sempre das bandeiras com pagodes no lugar de castelos, muito comuns em 2004.


13/06/2016

futebol mod€rno

Tenho a ideia de que não é compatível louvar a luta contra o futebol moderno e, ao mesmo tempo, enfardar quantidade industriais de futebol FIFA e UEFA, da "Champions League" ao Euro2016. São coisas que não casam. O homem, por outro lado, é o bicho da contradição, sendo que esta vive em todos nós - e nos colectivos que formamos -, o que não é bom nem mau, é como é. Eu resolvi mandar o futebol mod€rno à merda. Não me interessa, não me motiva, não me desperta paixão alguma. Futebol mod€rno é sinómino de tudo aquilo que deploro na sociedade humana. Puta que o pariu, portanto.

[foto: ruínas do mítico Estádio Eng.º Vidal Pinheiro, o do Salgueiros, Paranhos, Cidade do Porto]