Mostrar mensagens com a etiqueta absurdo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta absurdo. Mostrar todas as mensagens

28/05/2016

80

A coisa faz parte da estratégia de obsolescência estética que, a par da tecnológica, garante a muitas marcas a renovação do guarda-roupa e dos chamados "gadgets" de muita gente ano-sim-ano-sim. Em 200? a moda era as flanelas "grunge" dos anos 90, em 2016 a moda são os ténis brancos e as calças manchadas de gola alta dos anos 80. Um gajo acorda certo dia e pensa que viajou numa máquina do tempo até ao triste Portugal cavaquista, no qual a miséria dos salários em atraso e os regulares espancamentos policiais conviviam lado a lado com a ascensão dos novos yuppies portugueses inspirados pelo sr.  Patrick Bateman de Bret Easton Ellis. Uma certa forma de cyberpunk. Muitos dirão que a bimbice dos 80's está de volta mas a mim parece-me que nunca se foi. O yuppie que vivia dentro de muita gente acordou; e os putos que nunca tiveram dentro de si um yuppie admirador das piadas de mau gosto do Bonzo de Washington continuam a ignorar quem foi Reagan, apesar de usarem sobre a pele o estilo estético que se desenvolveu naqueles anos lamentáveis de afirmação do individualismo mais cru. Os seres superficiais que somos são filhos da década que inspira a moda deste ano de 2016. Se querem ressuscitar os 80's tenham ao menos a decência de não instrumentalizar a música dos The Clash, que já vou ouvindo por aí nos templos da religião consumista imperante.

27/05/2016

Timóteo 6:10 *


"Pois o amor ao dinheiro é uma fonte de todos os tipos de males. E algumas pessoas, por quererem tanto ter dinheiro, se desviaram da fé e encheram a sua vida de sofrimentos."

* numa parede da Rua Marquês Sá da Bandeira, em Lisboa.

... [6]



 
Mourinho fica vinculado aos red devils até 2019, com um ordenado anual de cerca de 13 milhões de euros. O vencimento poderá atingir os 20 milhões caso o treinador leve o Manchester United à conquista da Liga dos Campeões.

Ler mais em: http://www.cmjornal.xl.pt/desporto/futebol/detalhe/mourinho_ganha_20_milhoes_se_vencer_champions.ht
Mourinho fica vinculado aos red devils até 2019, com um ordenado anual de cerca de 13 milhões de euros. O vencimento poderá atingir os 20 milhões caso o treinador leve o Manchester United à conquista da Liga dos Campeões.

Ler mais em: http://www.cmjornal.xl.pt/desporto/futebol/detalhe/mourinho_ganha_20_milhoes_se_vencer_champions.html

... [5]

"Uma embarcação de migrantes naufragou esta quinta-feira no Mediterrâneo, ao largo da costa da Líbia. Pelo menos 30 pessoas morreram e outras 50 foram resgatadas, segundo as autoridades."

26/05/2016

em "The wolf of Wall Street"

Uma certa forma de fascismo na escola.

A propósito do julgamento "por difamação" a que está a ser sujeita a mãe de Diogo Macedo, aluno de um pólo da Universidade Lusíada falecido na sequência de uma praxe explicitamente violenta, tenho relido textos antigos e retomado reflexões de outros tempos sobre "a praxe" e o seu significado no contexto académico e social mais vasto; neste contexto, o que mais me espanta não é a complacência do poder político ou a inoperância das direcções das escolas; o que mais me espanta é a voluntária submissão de boa parte dos alunos "caloiros", que sujeitos às mais degradantes e absurdas humilhações participam na coisa sem a resistência que se impunha e impõe. A Maria de Fátima Macedo, a minha inteira solidariedade.

[imagem do filme "Praxis"]

... [4], ou escaravelhos, como nós.

"O Governo polaco diz que o plano de extração de mais 180 mil metros cúbicos de madeira tem por objetivo fazer frente à “degradação da floresta”, procurando conter uma infestação de escaravelhos e proteger os turistas e caminhantes do risco de árvores que podem cair. O plano agora iniciado deverá ser concretizado ao longo de uma década. Grupos ambientalistas, entre os quais o Greenpeace da Polónia, contestam esta perspetiva, afirmando que os escaravelhos não representam qualquer ameaça para o ecossistema que permanece intocado há dez mil anos e que poderá deste modo ser destruído."

21/05/2016

... [3]

Olhar o concerto através do estreito ecrã de um smartphone.

[Bruce Springsteen no "Rock in Rio Lisboa 2016"]

20/05/2016

"Modern Man"

I've got nothing to say, I've got nothing to do, all of my neurons are functioning smoothly yet still I'm a cyborg just like you, I am one big myoma that thinks, my planet supports only me, I've got this one big problem: will I live forever? I've got just a short time to see, modern man, evolutionary  betrayer, modern man, ecosystem destroyer, modern man, destroy yourself in shame, modern man, pathetic example of earth's organic heritage, when I look back and think, when I ponder and ask "why"?, I see my ancestors spend with careless abandon, assuming eternal supply, modern man, just a sample of carbon-based wastage, just a fucking tragic epic of you and I.

O negócio da Novilíngua

Num tempo em que as pessoas comuns se distanciaram da participação cívica e política clássica - as razões desse afastamento são relevantes mas, no caso concreto, laterais - as empresas (onde de resto passam a esmagadora maioria do tempo útil das suas vidas) assumiram o papel de doutrinação - através de treino técnico e formas de doutrinação ideológica não raras vezes manipuladora - que outrora pertenceu aos homens e às mulheres dedicados à intervenção política e social. O Grande Irmão do século XXI já não é um líder político; ele é o CEO "de referência" num plano macro e o conselho de administração da organização em que cada um de nós trabalho, num plano mais local. É neste contexto que surgem fenómenos de reformulação de linguagem, com impacto directo nas super-estruturas ideológicas da sociedade. Os "empreendedores" são exemplos, mesmo quando o empreendedorismo que empreendem representa elevadíssimos custos sociais, económicos, políticos, ambientais e humanos. Um novo dicionário da economia capitalismo do século XXI varreu do discurso normalizado dos "colaboradores" e chefias expressões ou palavras menos rentáveis, subversivas, perigosas, expansivas, incongruentes com os processos de normalização em curso. Nas organizações modernas não existem problemas, "apenas desafios e soluções"; a linguagem foi limpa de expressão "negativas", todas reformuladas "pela positiva"; os estrangeirismos roubaram uso e significado à inimaginável riqueza da língua materna. O patrão deixou de ser patrão e o trabalhador não trabalha: colabora. A (de)formação ideológica da sociedade capitalista do século XXI é feita 8 a 12 horas por dia, nos locais de trabalho. E curiosamente é precisamente nos locais de trabalho que reside a semente da esperança de uma mudança radical, em direcção não a novas formas de chegar ao mesmo viver, mas antes a novas formas de construir um novo viver.


"diversidade-homogénea"

"O capitalismo artístico e a sua ordem mediático-publicitária  é um sistema de produz «diversidade-homogénea», repetição da diferença, o mesmo na pluralidade."

em "O capitalismo estético na era da globalização"
de Gilles Lipovetsky e Jean Serroy

 [imagem]

18/05/2016

Núticias.

Tornar complexo o simples e simplificar artificialmente o complexo: resultados de futebol são debatidos durante horas a fio, em simultâneo, em tudo o que é canal "informativo" indígena, enquanto assuntos como por exemplo a situação política no Brasil ou na Venezuela são arrumados em poucos segundos nos noticiários, com base em meia-dúzia de ideias repetidas, exageros descontextualizados, selecção pouco criteriosa (ou melhor seria escrever, ideologicamente criteriosa...) dos aspectos a incluir nas peças jornalísticas. Maduro é mau, a "oposição" é boa. Nas núticias.

17/05/2016

1984 é 2016.

1984 é um grande romance. Inicialmente apontado como crítica directa ao socialismo soviético, enganam-se aqueles que teimam em datar o livro. Orwell não escreveu sobre um contexto específico, descreveu de forma brilhante os riscos associados a formas totalitárias de viver colectiva e individualmente. 1984 é hoje, e hoje não há socialismo soviético. 1984 é o regime de vigilância estatal e corporativa que damos como circunstância adquirida nas nossas vidas. 1984 é a novilíngua empresarial que tomou de assalto a economia, o desporto, a política, a cultura, as relações humanas em sentido lato. 1984 é o Grande Irmão CEO que poucos questionam nesse renovado contexto totalitário que são as empresas, onde a regra é obedecer de acordo com a norma ("da qualidade"), lugar que fez florescer um dialecto próprio que não apenas contaminou o falar - e naturalmente o pensar - dos "colaboradores" como é diligentemente patrocinado e controlado por uma nova polícia do pensamento, em regra corporizada por chefias intermédias mais irmanadas do que o Grande Irmão, ele mesmo. A novilíngua é "positiva" e "empreendedora", estrangeirada e superficial. Como o pensamento dominante. A novilíngua é a transposição discursiva de um estilo de pensamento que não é simples, é simplista. Ela é igualmente o correspondente verbal - e não verbal - ao movimento espasmático e compulsivo do pulgar fazendo correr icones e menús num smartphone maior do que a própria mão. A novilíngua é o capitalismo estético e o lugar instrumental que o ser humano utilizador-pagador ocupa no novo sistema. 1984 é 2016.


15/05/2016

Hiroshima.

Boris Vian escreveu um livro ao qual chamou "O Outono em Pequim". Acontece que na verdade a história não se passa nem no Outono nem em Pequim. O título escolhido por Vian funciona assim como um mecanismo desconcertante de realçar o absurdo.

Outros homens realçaram o absurdo de outras formas. A agressão, entendida como o acto de aplicar a força sobre semelhantes com a intenção de os submeter à vontade do agressor, é uma forma de absurdo que a natureza inventou e que o Homem refinou com base na sua grotesca inteligência. A justificação da agressão indiscriminada, duradoura e punitiva eleva o absurdo a níveis de intolerável palermice. A bomba de Hiroshima, ao contrário do título de Boris Vian, aconteceu mesmo. A bomba caiu, e Hiroshima - a cidade e a sua gente - pereceu. Não há desculpa (nem desculpas) que possa trazer de volta aqueles que a bomba trucidou, durante e depois daqueles miseráveis dias de Agosto de 1945