02/05/2016

Cada vez mais adepto da anti-psiquiatria, que compreende a natureza puramente convencional da "perturbação mental", dou por mim meio atónito perante as notícias sobre as doses perfeitamente norte-americanas de medicação a que estão sujeitas crianças e adolescentes, acusadas (reforço: acusadas) de "hiperactividade" e/ou transtornos associados.

As notícias sobre a "ligeireza com que se fala em hiperatividade infantil, rapidamente transformada em perturbação psicopatológica e, com uma frequência não menos dramática, na prescrição de uma molécula anfetamínica" [1] assustam. Sobretudo porque a cultura de normalização da saúde mental - de conceitos, diagnósticos, terapêuticas e visões associadas -, cruzada com  os estereótipos associados a formas de comportamento consideradas aceitáveis pelas convenções sociais que monopolizam a visão dominante relativamente ao que é "normal", levaram o mundo - e os seres que o habitam - a um género de abismo sem saída


Notas:
[1] "Crianças portuguesas consomem cinco milhões de psicofármacos", DN, 02.05.2016.

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