03/04/2016

Linda Martini: a bailarina exótica foi ao Coliseu

Não sou um experiente frequentador de concertos, não tenho um currículo cheio de presenças nem uma gaveta cheia de bilhetes. Vou apenas a alguns, quando tenho real vontade e efectivo interesse na banda em causa. Dito isto, quem tiver interesse em crítica jornalística encontrará o que procura no Blitz, em texto do Rui Miguel Abreu ilustrado com as magníficas fotografias da Rita Carmo. É seguir o link e está feito.

O meu texto não é sobre o concerto, notem bem; é antes sobre a forma como senti o primeiro espectáculo dos Linda Martini no Coliseu, que se encheu para uma noite memorável, que ficará certamente registada na memória daqueles que tiveram a possibilidade de assistir à primeira apresentação ao vivo do disco "Sirumba".

A primeira dificuldade que, escrevendo sobre os Linda Martini, procuro ultrapassar é a clássica questão da etiqueta; que raio de estilo musical define a banda de "Juventude sónica", "Amigos mortais", "Dá-me a tua melhor faca" ou "100 metros sereia"? Ontem compreendi de forma clara que os Linda Martini trucidaram as etiquetas com um rock competente e poderoso, que leva a garagem às melhores salas de espectáculos e aos grandes palcos nacionais. Sim, neles há punk, noise, shoegaze e afins. Acontece que a banda ainda vai tocando aquilo que lhe dá prazer, sem amarras comerciais nem grilhões tipológicos. Linda Martini é... Linda Martini, a melhor banda nacional de rock.

A característica mais marcante da música dos Linda Martini continua a ser, na minha perspectiva, a deliciosa contradição entre o som rude das guitarras afinadamente desafinadas e a voz limpa, trovadoresca, do André Henriques. Ontem pude compreendê-lo de forma absolutamente límpida.

No mítico Coliseu dos Recreios, os Linda Martini apresentaram-se com um alinhamento à medida da circunstância, dominado por "Sirumba" sem no entanto descurar temas emblemáticos da evolução da banda. E assim, hora e picos de concerto, seguida de dois encores - o primeiro dos quais com meia-dúzia de temas - foram uma boa forma de agradecer aos muitos que não defraudaram a banda e disseram "presente" naquele que terá sido o seu mais arriscado espectáculo ao vivo.

Gostei muito da cenografia utilizada, sóbria e a adicionar ao concerto, sem funcionar como factor de distracção como não raras vezes acontece. Gostei da sinceridade das palavras, dos repetidos - e verdadeiros - agradecimentos da banda a todos aqueles que foram estando presentes ao longo dos anos. E gostei do rock, muito. Voltarei, sem qualquer dúvida.

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