Uma das principais alterações que a transformação do futebol em indústria produziu foi a concentração do jogo em resultados, por vezes mais financeiros do que desportivos. O futebol moderno faz-se de pontos na tabela e euros na facturação. Os valores dos clubes associações foram rasgados de alto a baixo pelas SAD's-empresas. As comunidades que foram o berço dos emblemas foram afastadas das sedes e das bancadas dos estádios. Os sócios deram lugar aos "clientes". O adepto do "peão" deixou de ter valor perante os figurões dos camarotes. O futebol para as famílias foi trucidado pelo futebol das televisões, massificado já não como jogo mas como produto de consumo. O jogo coisificou-se. Dizem que nunca foi tão pujante.
É neste contexto que as palavras protagonizadas por Juan Mata [1], jogador espanhol do altamente empresarial Manchester United, sobre a natureza mercadológica do futebol não podem deixar de ser divulgadas, comentadas, aplaudidas e suportadas por todos aqueles que verdadeiramente se opõem ao rumo de manipulação das paixões que o jogo ainda gera. Contra o futebol moderno, pelo jogo na sua essência original. Contra o futebol indústria, por um futebol sem monopólios. Contra o futebol televisivo, pela ligação dos clubes às comunidades que os pariram.
Notas:
[1] ""Eu consigo entender quem odeia o futebol moderno. O lado do negócio no futebol faz parecer que os donos dos clubes são mais importantes que os torcedores. Não é que nem o futebol de antigamente. Não havia tanta cobertura da imprensa ou tantas partes interessadas em ganhar alguma coisa. Ver o Manchester United jogar custa £ 40. Não é barato. Eu não gosto do lado mercadológico do futebol. Eu amo o jogo. Eu amo treinar e competir. Eu aceitaria uma redução de salário tranquilamente se isso significasse menos envolvimento dos negócios no futebol. Nesse nível, somos muito bem pagos e algumas vezes você pensa que não existe realmente muita diferença entre x e x+3.
O futebol é muito bem remunerado neste nível. Nós vivemos em uma bolha. Em relação ao resto da sociedade, nós ganhamos uma quantia ridícula. Imensurável. Em relação ao mundo do futebol, eu tenho um salário normal. Mas, em comparação a 99,9% da Espanha e do resto do mundo, eu ganho uma quantia obscena. O barômetro que usamos para medir nossos salários é a comparação com os nosso companheiros de time e o que outros jogadores ganham em outros lugares. Eu vivo em uma bolha. A vida real é a que meus amigos vivem. Eles tiveram que procurar emprego, receber auxílio e imigrar. Isso é a vida normal hoje em dia. Minha vida de jogador de futebol não é normal. Eu fico assustado em pensar o quanto sou protegido. Quando surge o menor problema, alguém aparece para consertá-lo para mim. Esse é um dos aspectos em que a minha vida não é normal".", Fonte: Trivela.

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