Li algures - pensei que tivesse sido em "Câmara clara", de Roland Barthes, mas ontem procurei a citação e não a encontrei - que as fotografias dos militantes da Comuna parisiense de 1871 foram utilizadas pelas forças reaccionárias e imperiais para perseguir e massacrar aqueles que entre 18 de Março e 28 de Maio de 1871 transformaram Paris na primeira experiência de governo operário da história. Curiosa e dramática, a função simultaneamente imortalizante e incriminatória das fotografias que, no calor militante da defesa das liberdades democráticas da Comuna, foram feitas e dadas a conhecer.
Foram cerca de 20 mil os communards executados durante a chamada Semaine Sanglante, entre 21 e 28 de Maio. A perseguição aos dirigentes e militantes da Comuna prolongou-se aliás por vários anos, obrigando uns ao exílio, outros a atrozes sofrimentos nas prisões de Louis Adolphe Thiers.
Da Comuna restam as memórias e os relatos escritos daqueles que a viveram e observaram; restam também os retratos que não deixam morrer aqueles que as balas prussianas derrubaram, nos dias finais de uma das mais belas experiências igualitárias da história da espécie a que pertencemos.
Estranha função, a da fotografia na história.








1 comentário:
Olá
Essa citação que você descreve no início na verdade está em Sobre Fotografia, da Susan Sontag.
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