22/03/2016
9 notas [muito breves] sobre os atentados em Bruxelas.
1ª. A minha total solidariedade para com as vítimas: os seres humanos assassinados e feridos, aqueles que perderam familiares, amigos, vizinhos, colegas de trabalho, e para aqueles que viram as suas vidas seriamente afectadas pela circunstância de terem a sua cidade transformada em cenário de guerra;
2ª. A minha total condenação e repulsa face a um atentado desumano, cruel e arbitrário, cuja natureza contraria todo e qualquer sentimento de igualdade relativamente ao nosso semelhante;
3ª. Para recordar que o cenário de horror belga - como outros vividos num passado recente noutras cidades europeias - é uma micro-proporção do que desde 2010 vem destruindo de forma bárbara territórios aos quais a maior parte de nós não concede 5 minutos de atenção. Países como a Síria, o Iraque, o Afeganistão, a Líbia ou o Iémene;
4ª. Para chamar a atenção daqueles que a esta 4ª nota tenham chegado que é preciso dar luta ao aproveitamento que forças políticas reaccionárias e abertamente fascistas farão dos acontecimentos de Bruxelas para à semelhança do que fizeram antes lançarem sobre imigrantes, refugiados e europeus descendentes de imigrantes o estigma da culpa e a reivindicação de punição;
5ª. Para afirmar que igual luta deverá ser dirigida ao programa repressivo que as elites europeias têm preparado no bolso, e que visa fundamentalmente colocar sobre os cidadãos comuns um regime de privação de liberdades que, paradoxalmente, afirmam servir para proteger a liberdade;
6ª. Para lembrar o papel que as invasões do Afeganistão, Iraque e Líbia tiveram na criação, crescimento e fortalecimento de redes formais e informais de organizações terroristas islamo-fascistas;
7ª. Para lembrar que desde 2011 organizações como a Frente Al-Nusra e o Daesh têm beneficiado de cobertura financeira, bélica, económica, diplomática e mediática por parte dos estados do chamado "ocidente" que reivindicam para si o estatuto de representantes da "comunidade internacional" e da "democracia";
8ª. Para recordar que os "aliados" dos Estados Unidos e da União Europeia na região do Médio-Oriente são Estados racistas, homofóbicos, fundamentalistas e reaccionários que não têm parado de regar a fogueira síria com o combustível que lhes vai proporcionando principescos níveis de vida. Refiro-me naturalmente às ditaduras sunitas do Golfo com a Arábia saudita à cabeça;
9ª. Para lembrar que há poucas horas atrás um ataque suicida com origem na mesma organização criminosa vitimou três dezenas de iraquianos, e que todos os dias são assassinados em ataques terroristas arbitrários cidadãos comuns em países de maioria religiosa muçulmana. Diferenciar seres humanos por razões de maior proximidade geográfica, política, religiosa ou étnica é precisamente o que fazem os assassinos cujos crimes lamentamos.
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